sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Filme ou Telefilme?



É talvez inevitável um desabafo, tecido de desencanto e mágoa: como é que um típico telefilme histórico, tipicamente centrado numa personagem que supera uma limitação que bloqueia o seu "destino" (o Rei Jorge VI e a sua gaguez), se transforma no acontecimento central dos Oscars? Isto no mesmo ano em que, por exemplo, Shutter Island obteve... zero nomeações.


A questão está minada, eu sei. E tanto mais quanto a mesma imprensa que favorece uma visão pitoresca do cinema transfigura os Oscars numa redundante avalancha mediática a que não é fácil subtrairmo-nos. Afinal de contas, é preciso encarar os Oscars como produto de uma estrutura industrial grandiosa e muito específica, não como um exercício científico para satisfazer os "meus" ou os "teus" pontos de vista.


Não se trata de demonizar ninguém, não precisamos de pensar o cinema como tantas vezes se discute o futebol... Mas há um dado que importa reter: numa conjuntura de muitas e, por vezes, fascinantes transfigurações técnicas, temáticas e simbólicas dos filmes, os Oscars celebram O Discurso do Rei, um telefilme de rotina, obviamente alicerçado em talentos inequívocos — desde logo, claro, Colin Firth no papel do Rei —, mas cuja identidade histórica tem tanto a ver com o presente como com a produção (televisiva) de há 20 ou 30 anos.



1 comentário:

Prof. António Ricardo Silva disse...

Pois! Não posso deixar de concordar!
Os Óscares são sempre uma surpresa e muitas das vezes, pela negativa...
O Shuter Island também me ficou "atravessado no goto", assim como outros...