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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Rolling Stones: o filme dos 50 anos


Publicado originalmente em Sound+vision

I was born in a crossfire hurricane
And I howled at my ma in the driving rain (...)

É do primeiro verso de Jumping Jack Flash que provém o título do documentário com que os Rolling Stones assinalam o seu cinquentenário artístico: Crossfire Hurricaneterá a primeira exibição no dia 18 de Outubro, no Festival de Londres, numa projecção que será partilhada, via satélite, com cerca de 250 salas europeias. Dirigido por Brett Morgen, o filme promete ser, de uma só vez, uma antologia de memórias e uma celebração do imaginário da banda — eis o trailer.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os 15 melhores rockumentários



A Rolling Stone seleccionou os 15 melhores documentários de música de sempre. Em 1º lugar, ficou "This Is It", longa-metragem sobre a preparação dos espectáculos que Michael Jackson (na foto) iria apresentar na 02 Arena, em Londres (actuações que viriam a ser canceladas devido à morte súbita do Rei da Pop).

O documentário sobre a histórica banda de punk-hardcore Minutemen, "We Jam Econo: The Story of the Minutemen", no 2º lugar, e o filme-concerto dos Led Zeppelin, "The Song Remains the Same", em 3º, completam o pódio.
Veja em baixo a lista dos 15 melhores documentários de música para a Rolling Stone:


1º Michael Jackson - This Is It
2º Minutemen - We Jam Econo: The Story of the Minutemen
3º Led Zeppelin - The Song Remains the Same
4º Roy Orbison - Black & White Night
5º The Who - The Vegas Job
6º Madonna - Sticky and Sweet Tour
7º Jimmy Page, The Edge & Jack White - It Might Get Loud
8º Rolling Stones - Stones in Exile
9º John Lennon - Imagine
10º Iggy & The Stooges - Live In Detroit
11º Wilco - I Am Trying to Break Your Heart
12º The Flaming Lips - The Fearless Freaks
13º The Doors - When You're Strange
14º James Brown (Bill Withers, B.B. King, entre outros) - Soul Power
15º Harry Nilson - Who Is Harry Nilsson? (And Why Is Everybody Talkin' About Him?)'

O meu favorito:

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

We Were Here, por Carlos Antunes



Título original: We Were Here
Realização: David Weissman e Bill Weber
Elenco: Ed WolfPaul Boneberg e Daniel Goldstein

We Were Here é um documentário formalmente muito pouco distinto de tantos outros documentários, feitos para cinema ou mesmo televisão.
A estrutura de relato cronológico por meio de entrevistas - aqui e ali pontuado com material da época - é inversamente atraente para o público ao que é prático para os realizadores.
Mesmo assim o filme destaca-se dessas peças de formalismo limitado e a razão para tal é o percurso objectivo traçado pelos realizadores que não despreza as emoções necessárias ao cinema.
Ao escolher um grupo de cinco "sobreviventes" ao surgimento da epidemia da SIDA em São Francisco que tiveram perspectivas priveligiadas e complementares dos eventos daquela época.
Estiveram todos no centro do que acontecia, mas diferiam em orientação sexual, na forma de envolvimento, na motivação para agirem e no grau de entrosamento com a comunidade homossexual. Daí que, tanto pela visão de cada um como pelas noções de que partem, o documentário seja lúcido e não acabe contaminado com uma presença visível de um discurso dos realizadores.
Talvez o mais notável do filme seja a forma como os realizadores recuperaram um modelo de documentário que continua a ser comum mas que tem perdido a consideração dos cinéfilos perante trabalhos mais criativos. E recuperaram-no, não só de forma a manterem a característica principal de um documentário, mas de forma a explorarem a questão humana individual no seio da imagem maior que estão a filmar.
A seriedade objectiva do filme vem da sua forma que acaba por deixar que os próprios intervenientes revelem as suas emoções sem ser necessário montar uma narrativa que explora (de forma oportunista) esses mesmos intervenientes.
À medida que contam a história, os cinco intervenientes deixam vir à tona o sofrimento que tomou conta deles e que ainda ressurge.
A história, já de si pouco agradável de suportar ou não houvessem comparações da calamidade aos campos de concentração nazis, torna-se ainda mais intensa no coração do público quando a objectividade não se desvia dos soluços choramingosos. Porque a dureza daquele período pode entender-se contada mas só se pode sentir vista e isso é que o documentário tem para dar ao público.
Mais do que o tema da SIDA, o filme é um poderoso retrato do abismo a que pode ser submetida uma comunidade e a força que ela encontra para preservar a sua própria humanidade. Um retrato feito por uma mão cheia dos que resistiram até hoje mas que perderam um número incontável de amantes, amigos e conhecidos.







Ler mais: http://splitscreen-blog.blogspot.com/#ixzz1ZGGNubWs

sábado, 3 de setembro de 2011

Pronúncias do Norte






Um documentário sobre a vitalidade e identidade da cena pop/rock islandesa, com imagens de nomes como Sigur Rós, Björk , Apparat Organ Quartet, Slowblow ou Múm. Este texto sobre 'Screaming Masterpiece' foi publicado na revista '6a' (do Diário de Notícias) a 21 de Abril de 2006, assinalando a passagem do filme no Indie Lisboa.


Nos anos 80 havia quem se questionasse porque havia tanta gente encantada com uns tais Sugarcubes que, chegados da Islândia, nos mostravam uma pop estimulante que sabia a qualquer coisa diferente. Vivia-se um tempo de domínio pop/rock com sede britânica ou norte-americana, mas lembrámo-nos então que, da Suíça, tinham surgido uns Yello, do Japão uma Yellow Magic Orchestra, da Noruega uns A-ha? Eram casos pontuais, excepções? Depois Björk , a vocalista dos Sugarcubes, estreou-se a solo, com um disco notável e sucesso a condizer? OK, nada de grave, vinha dos Sugarcubes, era ainda a excepção. Mas depois entram em cena os Gus Gus. Pouco depois os Sigur Rós. E os Múm, e uma série de nomes que começam a dar que falar no continente europeu, cativando atenções para uma pequena ilha de fogo e gelo a caminho do pólo Norte? Mais firme e coesa que as manifestações que devolveram a França aos mapas pop em finais de 90, e, também, por essa altura, chamaram as atenções de muitos para o que se passava na Áustria, ou na Noruega, a cena pop/rock islandesa é um caldeirão de acontecimentos de grande personalidade, visão e criatividade, à espera do momento em que a distância entre a distante ilha e o resto do mundo desapareça. As carreiras de sucesso internacional de Björk e Sigur Rós chamaram atenções. E um segredo pop bem guardado chegou ao fim. 



Não é a primeira vez que a cena pop/rock islandesa é retratada em documentários por realizadores locais. Em 1982, Fridrik Thor Fridriksson rodou Rockk Í Reykjavik, um documentário que dava conta da assimilação do punk pelas jovens bandas locais. Em 1998, já com Björk no firmamento pop global, Pop In Reykjavik, de August Jakobsson, dava conta de uma nova geração de acontecimentos e revelava cena underground que em breve poderia lançar surpresas. O filme, entre os nomes tidos como promissores, revelava uma jovem banda de quatro rapazes que tinham acabado de lançar um estranho, mas cativante álbum de estreia na Islândia. Chamavam-se? Sigur Rós. 








Screaming Masterpiece não é mais o retrato para consumo interno de 1982 de RokkÍ Reyjkavik, nem o exercício sonhador (embora realista e visionário) do filme que August Jakobsson rodou em 1998. É a constatação de uma realidade que já extravasou fronteiras, que conquista o mundo pela diferença, pela afirmação de uma identidade que, mesmo nascida numa cultura que durante séculos pouco comunicou com o resto do mundo, conhece através da sua música um canal capaz de sugerir as mais inesperadas empatias. 



Porque é a Islândia um país com tamanha e tão pessoal oferta musical? Já com uns valentes metros de filme projectado, bandas escutadas e entrevistas assimiladas,ScreamingMasterpiece lança números que, por si só, justificam parte da resposta: num país com 300 mil habitantes há 40 escolas de música, 400 orquestras e bandas de formação clássica, seis mil vozes inscritas em coros e uma infinidade de grupos pop/rock. Chega?... 



Björk , em islandês, explica para a câmara de filmar que, depois da independência em 1944, a Islândia levou duas gerações a desenvolver uma confiança na sua identidade: "Começámos por perguntar a nós mesmos o que era ser islandês e a deixar de sentir a culpa de ter estado sob o domínio dinamarquês, colonizados por 600 anos". Esta identidade começou a manifestar-se de diversas formas, uma das mais evidentes uma nova música que nascia da assimilação do punk. "Descobrimos que o que interessava era o que queríamos fazer, não apenas o que fazíamos de facto. E usámos esse poder para definir uma declaração de independência musical", recorda a cantora. Thor Fridriksson, que em 1982 documentou essa revolução em Rokk Í Reykjavikk, cujas imagens aqui se recordam, explica que "as pessoas desenvolveram então uma forte opinião de si mesmas e deixaram de se auto-censurar. Estas bandas de garagem, com complexos de inferioridade, assim que se viram no ecrã, a soar alto, aperceberam-se de uma energia e potencial que tinham já em si". Björk reforça o papel determinante dessa expressão de individualidade, recordando como provocava outros que, na altura, tentavam ser os U2 ou Beatles islandeses, "em vez de procurarem ser eles mesmos". 








ScreamingMasterpiece recorda imagens de Björk a ler o manifesto Bad Taste, uma espécie de versão pop islandesa do dogma cinéfilo dinamarquês. Mas, em vez de explicar detalhadamente como se evoluiu de então para o efervescente cenário actual, deixa que seja o espectador a tirar conclusões, certa que é a exposição de bandas cujas actuações o filme acompanha, deixando-nos cientes de que uma busca de personalidade e identidade, um desejo de fidelidade às suas raízes e uma lógica de combate ao "bom gosto" dominante (paródia, claro) continua a caracterizar a esmagadora maioria das manifestações da Islândia pop/rock actual. E, como explica Hilmar Örn Hilmarsson, estas manifestações não são mais que a expressão actual de um hábito de retrato da vida e sua história em canções, com raiz na Islândia desde que as primeiras povoações ali se instalaram. Vemos actuações dos Sigur Rós, Amina, Ampop, Mínus, Apparat Organ Quartet, Slowblow, Singapore Sling, entre outros, telediscos dos Múm e Sugarcubes e curtas entrevistas onde fica clara uma profunda relação da música islandesa com a poesia local, uma esmagadora opção pela língua de origem, e teses que explicam que, tal como em Detroit ou Manchester, cidades chuvosas, a música tinha de brotar em Reykjavik.



O filme corre inteligentemente por salas de concerto e clubes rock, por salas de ensaio nas mais variadas formas (uma delas uma igreja vazia por uma temporada, que o padre emprestou), e até mesmo a casa presidencial, com uma actuação ao vivo e políticos a rir e dançar? Ari Alexnader e Eris Magnússon, os realizadores, não nos expõem conclusões, antes esperam que sejamos nós, espectadores, a tirá-las. E, mesmo sem apontar o dedo aos subprodutos locais (que também existem), não deixam de mostrar como a banalidade do hiphop aculturado dos Quarashi, o tom morno, em inglês dos Mugison, ou o rock'n'roll decalcado da América de uns Vinyl fica a milhas da vitalidade e personalidade dos muitos outros que, como Björk defende, juntam "'patriotismo berrante com grandes doses de adolescência". E aí, sim, está a força que brota da nova música islandesa.



O filme está hoje disponível em DVD. Existe ainda uma edição em CD com a respectiva banda sonora.


Publicada por Nuno Galopim em

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Harrison, segundo Scorsese




Mais um documentário musical a caminho, este com assinatura de Martin Scorsese. Com o título Living In The Material World, este filme sobre George Harrisson terá lançamento em DVD e Blu Ray em Outubro. Aqui fica o trailer:

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Jonathan Caouette's All Tomorrow's Parties


É a segunda longa-metragem de Jonathan Caouette (e, portanto, o sucessor de Tarnation). Em comum assenta numa variedade de registos como matéria prima, todavia com proveniências distintas, contando com contribuições de cerca de 200 pessoas, entre profissionais e amadores, que captaram ao longo de dez anos imagens em concertos nos festivais All Tomorrow’s Parties. O filme chama-se, precisamente, All Tomorrow’s Parties e é um retrato de dez anos de vida do festival, de quem nele actuou, de quem assistiu, dos ambientes em volta. Inclui passagens por actuações de nomes como os Animal Collective, Sonic Youth, Grizzly Bear, Portishead, Yeah Yeah Yeahs, Belle & Sebastian ou The Stooges. E, depois de ter passado pelo circuito de festivais nos últimos meses, acaba de chegar ao DVD, em lançamento (para já no Reino Unido) pela Warp Filmes.

Imagens do trailer de All Tomorrow’s Parties. É imediatamente reconhecível a lógica de colagem que vimos em Tarnation. E também uma forma de inserir palavras em tudo semelhante. Marcas autorais, portanto.