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quarta-feira, 7 de março de 2012

The Walking Dead cada vez melhor...

Publicado por João Lopes em sound + vision

 A segunda temporada da série The Walking Dead (Fox) é um pequeno grande acontecimento no panorama das séries televisivas. Desde logo, porque contraria a pompa conceptual (Dexter) ou cenográfica (Downton Abbey) que tem vindo a contaminar algumas dessas séries, adoptando um simpático e linear revivalismo cinéfilo, apostado em celebrar a tradição das histórias de zombies. Mas também, paradoxalmente, porque tal revivalismo tende a esbater-se, dando lugar a uma crescente elaboração psicológica. Seria, talvez, o menos óbvio, mas é o que está a acontecer: esta história de um grupo ameaçado por zombies transformou-se num dramasuspenso em que, subitamente, são testadas algumas noções tradicionais de família, geração e comunidade. Instalou-se, assim, um enigma central que nada tem a ver com o estratagema de Loste afins (em que se vão tirando coelhos da cartola para fingir que está realmente a acontecer alguma coisa): The Walking Dead contempla e escalpeliza o carácter indecifrável da condição humana. As suas promoções, incluindo as frases disparatadas que pontuam os intervalos de cada episódio, bem se esforçam para que nos afastemos, mas The Walking Dead está cada vez melhor.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

The Walking Dead









oncluída a primeira temporada de The Walking Dead, a série parece poder sustentar um curioso revivalismo da tradição cinematográfica dos zombies — este texto integra parte de uma crónica de televisão publicada no Diário de Notícias (24 de Dezembro).








O canal Fox Life passou os seis episódios de The Walking Dead, série concebida por Frank Darabont a partir de uma banda desenhada de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard (está em marcha uma segunda temporada). É mais um curioso exemplo de apropriação de uma referência cinematográfica, o género de terror, desta vez a partir de uma das suas variantes mais bizarras, o filme de zombies. A série possui uma sofisticação técnica invulgar, em particular na caracterização dos “mortos-vivos”, superior a muitos exemplos do próprio cinema. Ainda assim, a sua eficácia não depende de qualquer ostentação técnica, mas sim da metódica exploração de sugestões eminentemente familiares.




Tal como em alguns filmes de Darabont, em particular o brilhante The Mist/Nevoeiro Misterioso (2007), o apocalipse revela-se no contraste entre a devastação dos cenários e o dramático intimismo em que descobrimos as personagens. Mais do que isso: há em The Walking Dead uma “lentidão” da narrativa, perturbante e mobilizadora, que contrasta com as facilidades de muito cinema contemporâneo (de terror ou não) que confunde a “velocidade” da montagem com a gestação de verdadeiras emoções. Se está aqui o princípio de um revival consistente, capaz de resistir às próprias rotinas impostas pelo modelo televisivo, eis o que valerá a pena avaliar com a segunda temporada (prevista para Outubro de 2011).