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domingo, 29 de novembro de 2009

TV 2


A noite de sexta-feira na RTP2 foi um caso exemplar da televisão que temos e, sobretudo, da que não temos -- este texto foi publicado no Diário de Notícias (27 de Novembro), com o titulo 'Delírio intelectual'.

A noite de hoje [27 de Novembro], na RTP2, é um luxo. Assim, podemos começar com mais um episódio de Mad Men, série que nos mostra, serenamente, que o principal aparelho político das sociedades modernas se chama... publicidade. Por volta da meia-noite e meia, será possível ver uma fascinante aventura de ficção científica: THX 1138, primeira longa-metragem de George Lucas, produzida em 1971, quando o seu autor ainda era uma rapaz simples. Enfim, por volta das duas da madrugada, uma preciosidade absoluta: um concerto dos Nirvana, gravado em 1992, no Festival de Reading.
O panorama é revelador do contexto televisivo em que definhamos. De facto, será preciso uma enorme hipocrisia argumentativa para sustentar que estes três programas convocam referências indecifráveis pelo comum dos cidadãos ou pertencem a zonas mais ou menos esotéricas de consumo. Nada disso: são mesmo casos modelares de uma cultura visceralmente popular que, no nosso radioso Portugal, foram empurrados para zonas de consumo mais ou menos “especializado”. Mérito da RTP2, sem dúvida. Mas também sintoma muito cru da degradação geral dos padrões televisivos.
Ultimamente, essa degradação faz-se através da boa consciência dos debates. Boa consciência, insisto. Muitos profissionais e decisores das nossas televisões resistem, heroicamente, a qualquer sentimento de culpa através da multiplicação dos espaços de “discussão”. E quando falo em multiplicação, a palavra apenas peca por defeito. Na verdade, será preciso que alguém nos explique em que é que horas e horas de “análise” do penalty que foi e do “penalty” que não foi contribuem para uma salutar relação com esse desporto fascinante que dá pelo nome de futebol. Será preciso também que possamos compreender como é que horas e horas de especulação sobre os palavrões que José Sócrates disse ou não disse favorecem a energia democrática da nossa sociedade. Apetece aplicar a pedagogia do saudoso Diácono Remédios e dizer: “qualquer dia”... discute-se se o primeiro-ministro pensou em aplicar alguma asneira começada por “f”, ou se terá ficado pelas letras antes do “f”. Herman José faz-me falta, reconheço. Coisas de intelectual, não liguem.
fonte: Sound+vision

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A MTV acabou?!

A MTV acabou? Acabou, pelo menos, a estação que apostava na experimentação e na pluralidade — este texto foi publicado no Diário de Notícias (9 de Outubro), com o título :
'O envelhecimento da MTV'.

"Quando descobrimos telediscos dos Police, George Michael ou Pet Shop Boys a serem evocados de forma mais ou menos “nostálgica” em canais como o VH1, percebemos que a cultura audiovisual dominante conseguiu impor calendários cada vez mais curtos para o “envelhecimento” público. Em boa verdade, o fenómeno não se explica apenas pela natural alternância de gerações, com todas as suas diferenças de sensibilidade e percepção do mundo. Nem se trata de um episódio isolado do VH1, afinal de contas um dos espaços mais abertos e diversificados nesta área. A questão é outra: em termos especificamente televisivos, tudo passa pela progressiva e trágica decomposição dos conceitos criativos (e de difusão) que, em 1981, deram origem à MTV.Escusado será lembrar que todos os canais “musicais” (incluindo os da chamada música erudita) são derivados mais ou menos evidentes do modelo fundador da MTV. Acontece que a MTV há muito abandonou o seu próprio modelo. Por um lado, assistiu-se a uma brutal restrição de “conteúdos” (como agora se diz), deixando sistematicamente de fora muitos telediscos que se distinguem por apostas criativas realmente originais e inovadoras; por outro lado, a integração (?) de programas filiados no estilo mais obsceno da reality TV contaminou quase tudo, além do mais favorecendo a imagem quotidiana da juventude como uma colecção de indivíduos que só se distinguem por dizerem coisas patetas com ar pateticamente “divertido”.Nada disto está a ser “compensado” por programas propostos pelos canais generalistas, também eles enredados nas rotinas do modelo “Top +”: a preguiçosa colagem aos movimentos mais óbvios do mercado faz com que o imenso espaço dos telediscos, sendo um dos mais abertos à experimentação e à pluralidade, seja também um dos mais afogados pelas leis dominantes da difusão audiovisual. Dir-se-ia que a MTV não tem sabido envelhecer... O que nos conduz à incontornável pergunta: será possível envelhecer tanto em menos de três décadas? Pelos vistos, o feitiço virou-se contra o feiticeiro."
Fonte: Sound + Vision

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Diz-me o que ouves... dir-te-ei quem és


Retirado do site da BLITZ online:

Indies preguiçosos, rappers exibicionistas. Estudo prova ligação entre gostos musicais e características psicológicas.
Os fãs de bandas ditas indie têm pouco cuidado com a aparência, sempre de cabelo esgadelhado e aspecto miserável, e os aficionados do rap são, regra geral, exibicionistas e cheios de auto-estima.
Estes são alguns dos perfis traçados por um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade Heriot Watt, no Reino Unido.
Analisados 36 mil amantes da música, os investigadores confirmam que aquilo que uma pessoa é está ligado ao que ouve, ou seja, que os gostos musicais reflectem, de forma sistemática, determinados traços da personalidade.
Em declarações ao Independent , Adrian North, um dos responsáveis pelo estudo explicou que algumas pessoas defendem os seus artistas preferidos com unhas e dentes porque, ao fazê-lo, sentem que estão a proteger a sua própria identidade.
O professor adiantou que, no toca a heavy-metal e música clássica, os fãs parecem ter em comum uma "paixão pelo grandioso", o que faz com que um fã de Metallica se sinta mais tentado a ouvir um grande compositor do que uma nova banda indie ou algo ligado ao reggae, adiantou.
Ligações avançadas pelo estudo, citadas pelo Independent

Indie - Fãs são preguiçosos, pouco generosos, têm uma auto-estima fraca mas costumam ser criativos.
Rock: Fãs têm muita auto-estima e criatividade, são empenhados e descomplexados mas não costumam ser muito bondosos.
Música Clássica: Fãs têm uma auto-estima elevada, são criativos mas são pouco sociáveis.
Heavy-metal: Fãs muito criativos e seguros, mas pouco sociáveis e trabalhadores.
Reggae: Fãs generosos e simpáticos mas muito preguiçosos.
Rap: Fãs exibicionistas e sociáveis.


Estou a ver se me encaixo em alguma... mas está a ser difícil!