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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Revisitando "Ziggy Stardust"

Publicado originalmente em Sound+Vision

Retomando o seu gosto pelas antologias de covers, a Paper Bag Records propõe agora um belo gesto comemorativo dos 40 anos do álbum de David Bowie, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972): um conjunto de novas versões dos 11 temas do álbum, de Five Years a Rock'n'Roll Suicide (+ bónus de John I'm Only Dancing). Participam alguns dos nomes fundamentais do catálogo da editora, incluindo The Rural Alberta Advantage, Young Galaxy e Elliott BROOD — e está tudo disponível para download gratuito no site da PBR.

domingo, 3 de junho de 2012

'Scary Monsters (and Super Creeps)' segundo Pedro Ramos


Publicado no Sound+vision

Este mês assinalamos os 40 anos do lançamento de Ziggy Stardust, de David Bowie. Mas como uma carreira não se reduz a um disco, pedimos a alguns amigos que escolhessem o “seu” disco de Bowie. Hoje apresentamos a escolha de Pedro Ramos, da Radar, que propõe um reencontro com Scary Monsters (and Super Creeps), de 1980. Um muito obrigado ao Pedro pela colaboração.

No momento de fazer a vénia a David Bowie, escolhi Scary Monsters (And Super Creeps). 

Olhando para o seu percurso, e sendo o primeiro álbum a surgir após a trilogia Low / 'Heroes' / Lodger, constrói aqui uma obra mais directa, conscientemente pop na sua génese, sem nunca perder o perigo e a esquizofrenia que sempre foram os trunfos maiores da sua composição. Aliás, arrisco-me a dizer que este é, de um prisma puramente psicológico, o seu álbum mais desafiante.

O arranque é extremo e instala o clima de paranóia que percorre todo o álbum. Um disco que nos recebe com a guitarra cyborg de Robert Fripp em duelo com uma voz feminina em japonês, traduzida por um Bowie mais interessado em rasgar as cordas vocais do que na busca da melodia. A canção chama-se It's No Game e aparecerá novamente no fecho do disco, num registo mais brando, como que gasta pelo cansaço no fim de um combate. 
E estas são canções de luta. 

Em Up The Hill Backwards, apesar de um refrão fácil, basta o título para transmitir-nos uma ideia de esforço, de alguém que tenta vencer uma força maior. Corre contra a ideia de um futuro junkie, contra os seus demónios que, mais alienados que aliens, ganham corpo na canção que dá nome ao disco.

Essa ideia surge glorificada em Ashes To Ashes, porventura a canção mais pessoal de Bowie, encarando de frente o Major Tom de Space Oddity, ridicularizando hábitos típicos da estrela rock que foi na década anterior e apontando o dedo às incertezas próprias de um veterano prestes a entrar numa nova década. Como na morte de Ziggy outrora, consegue cortar com o passado e virar a página. Naquela que permanece para mim como a sua melhor canção, fez do vídeo um marco de um novo psicadelismo Betamax, que daria origem a inúmeros clones MTV ao longo da década de 80. 
A relação de Bowie pela vibrante Nova-Iorque e o fascínio pela movida da mesma é óbvia em Fashion, especificamente na secção "dance with me / don't dance with me", quase amor-ódio, ao enfrentar a noite querendo ao mesmo tempo sobriedade. Precisa da vaidade e das luzes, mas percebe-se um desejo em passar de peão para observador, quase ao estilo de Warhol.

Rodeado por imitadores, de Gary Numan aos futuros novos-românticos, espalha veneno em Teenage Wildlife, mostrando uma séria intenção em recuperar o seu trono pop.

Scream Like A Baby é a canção onde mais sangue é derramado e transporta a mesma tensão de um protagonista aprisionado, com uma fuga em mente, embora a mera menção da palavra "sociedade" seja insuportável. "s-o-c-i-e---s-o-c-i-e-t…ssssss". É um hino bipolar, onde o fecho dos capítulos passados surge agora como uma questão de vida ou morte e onde a sanidade, por mais monótona que possa parecer, é a única opção que resta. 

Com Kingdom Come (original de Tom Verlaine) e Because You're Young (com guitarra de Pete Townshend) desenha o desfecho, em dois momentos mais melódicos onde começa a vestir uma nova pele, percebendo que o inimigo está mais fraco.

Quando surge finalmente a segunda versão de It's No Game, mais do que cansado no registo, Bowie está sereno, apaziguado. Seguro de que venceu.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

David Bowie celebra 40 anos de «Ziggy Stardust» «The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars» contará com uma reedição remasterizada


David Bowie vai celebrar os 40 anos sobre o lançamento de «The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars» com uma reedição especial que chega às lojas na próxima segunda-feira.

Um dos disco fundamentais na discografia do músico britânico, «Ziggy Stardust» é um álbum conceptual que conta a história de um extraterrestre que chega ao planeta Terra com uma mensagem de esperança, tornando-se numa estrela de rock.

Ao longo dos anos, o quinto trabalho de estúdio de David Bowie tem sido incluído em várias listas dos melhores discos de todos tempos em publicações como a «Rolling Stone», a «NME» e a «Time».

A nova edição de «Ziggy Stardust» estará disponível em duas versões: em CD e em quatro discos de vinil, aos quais se juntam um DVD áudio com versões alternativas dos temas do álbum.

Apesar do 40º aniversário do disco, não são esperados quaisquer concertos de celebração da efeméride por parte do próprio Bowie. O músico londrino lançou o seu último disco há nove anos e desde 2006 que não atua ao vivo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

David Bowie

Hoje, David Bowie faz 65 anos e atinge oficialmente a idade da reforma. Não oficialmente, porém, parece reformado há anos. O homem de quem sempre esperámos uma reinvenção e um sinal de futuro mantém-se silencioso, na sua casa, em Nova Iorque. O seu passado faz dele uma figura presente na cultura popular.

Em 2012, David Bowie será o primeiro. A partir de hoje, o camaleão da pop, caso deseje abandonar Nova Iorque, onde vive, e regressar a Inglaterra, poderá viajar por todo o país gratuitamente, utilizando os autocarros públicos. É um direito que assiste a todos cidadãos ingleses que atingem os 65 anos. E é essa a idade a que chega hoje David Bowie, músico que marcou, de forma indelével, o século XX, tratando a pop como artista plástico ou actor de um interminável happening. David Bowie será, dizíamos, o primeiro da lista deste ano. Nos próximos meses, seguir-se-ão, incluídos na classe de 1947, Elton John, Dave Davies, guitarrista dos Kinks, Brian May, guitarrista dos Queen, Ian Anderson, vocalista e flautista dos Jethro Tull, Brian Johnson, vocalista dos AC/DC, ou Iggy Pop, reverso negro de Bowie, a quem este ofereceu segunda vida ao proporcionar-lhe, em 1973, a gravação de Raw Power. E, claro, não podemos esquecer nesta lista Ron Wood, o guitarrista dos Rolling Stones que afirmou recentemente, e muito a propósito, "depois de tudo o que consumi e fiz ao longo dos anos, o que mais me impressiona é ainda estar vivo". Para quem é, no fundo, o irmão mais novo, em excessos e na guitarra, do eterno Keith Richards, a declaração faz todo o sentido.

No fundo, os 65 anos são um pormenor da cédula de nascimento que o ritmo de vida não reflecte. Ron Wood continua, qual jovem estrela de 25 anos nos anos de 1970 de sex, drugs & rock"n"roll. É exactamente isso, de resto, que o público que esgotou as últimas digressões dos Rolling Stones pretende ver: a eterna juventude roqueira em corpos enrugados mas de vitalidade intacta. 

Sabemos há muito que o rock já não é somente a arte da rebeldia juvenil, que já não é uma força expressiva utilizada contra os inevitavelmente retrógrados da geração anterior. "Hope I die before I get old", cantavam os The Who em 1965. "Hope I die before I get old", continuarão a cantar em concertos os jovens de 1965, recordando essa verdade insofismável, enquanto os sobreviventes da banda, Pete Townshend (66 anos) e Roger Daltrey (67 anos), se mantiverem razoavelmente no activo. E David Bowie?

No auge da sua fama enquanto Ziggy Stardust, primeiro culminar de uma visão da pop enquanto ponto de confluência entre o poder da música e a força transformadora das artes performativas, confessou: "Fora de palco, sou um robot. Em palco, ganho emoções. É provavelmente por isso que prefiro vestir-me de Ziggy a ser David". 

Longe de desaparecer

À beira de completar 65 anos, já não precisa de se vestir de quem quer que seja, já não precisa de se reinventar. O seu último álbum, Reality, foi editado em 2003. No ano seguinte, depois de um concerto em Hamburgo, sentiu fortes dores no peito e foi conduzido ao hospital. Uma artéria obstruída e uma cirurgia de emergência (termo técnico: angioplastia). Depois, o retiro em Greenwich Village, onde vive com a mulher, Iman, e a filha de ambos, Alexandria. As aparições intermitentes que fez desde aí - na televisão com os Arcade Fire; em palco com o amigo David Gilmour; com Rick Gervais na série Extras - não apagaram a sensação de que, se a idade da reforma ainda demoraria a chegar (ei-la amanhã, precisamente), David Bowie estava efectivamente reformado. Porém, longe de desaparecer.

A moderna ideia de pop vive a sua meia-idade. Os que primeiro cresceram com ela têm a idade de Bowie e continuam a comprar os discos (e as reedições, e as caixas luxuosas) dos ídolos de outrora e a comprar os bilhetes para os seus concertos - são, de facto, os maiores clientes de uma indústria discográfica em crise profunda.


sábado, 30 de abril de 2011

Bowie em exposição










O Museum Of Arts and Design, de Nova Iorque, apresenta este ano uma exposição dedicada à obra de David Bowie. Inaugura dia 9 de Maio e junta o seu trabalho em vídeo à obra no cinema, propondo inclusivamente um programa em paralelo com a exibição de títulos marcantes da sua filmografia. Na sequência de imagens deste post, momentos dos telediscos de Life On Mars e Loving The Alien e do filme The Man Who Fell To Earth, de Nicolas Roeg.





Publicada por Nuno Galopim em http://sound--vision.blogspot.com/

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tributo a Bowie

Em Maio chega aos escaparates mais um tributo a David Bowie. Com 28 artistas envolvidos em outras tantas versões, o alinhamento inclui, entre outros, Boys Keep Swinging pelos Duran Duran, Ashes to Ashes pelo ex-Japan Mick Karn, Absolute Beginers por Carla Bruni, John I’m Only Dancing pelas Vivian Girls, Life on Mars pela francesa Keren Ann ou Sound and Vision (em castelhano) por Devendra Banhart. Os MGMT e Soulwax deverão participar no disco, não se sabendo ainda com que canções. Os fundos recolhidos com a venda deste disco reverterão a favor da War Child.
fonte: sound+vision

sábado, 14 de novembro de 2009

O lado musical de Berlim

Chegou a ser conhecido pelo nome Hansa By the Wall, mas hoje é apenas referido como Hansa Tonstudios. É um dos mais célebres estúdios de gravação na Europa, tendo albergado sessões de gravação para figuras como David Bowie, Brian Eno, Iggy Pop, os Japan, Depeche Mode, Killing Joke, Nick cave & The Bad Seeds ou os U2, entre muitos mais. Estes últimos gravaram ali Achtung Baby, álbum que reflecte os dias da queda do muro e a nova Berlim que então nascia. Uma das versões do teledisco de One, realizada por Anton Corbijn, mostra os U2 nestes estúdios.
Os estúdios foram fundados por dois irmão em meados dos anos 60, mas só em 1972 se deslocaram para o local onde ainda hoje moram. Era então um edifício quase isolado, na desolada zona nas imediações da velha Potsdamer Platz, e com o muro a passar bem perto das traseiras… Daí o nome que muitos músicos lhe davam: Hansa by the Wall…

A queda do muro deixou vasto espaço livre em seu redor, pelo que hoje o edifício é um entre os muitos que vemos, de cara lavada, na Kothener Strasse, junto à alameda do parque Felix Mendessohn Bartholdy, e a dois minutos a pé da renascida Potsdamer Platz. Passando na rua mal imaginamos que ali mora tanta história. Há um restaurante no rés do chão, uma sala de eventos no primeiro andar (muito usada para festas durante a Berlinale) e alguns pequenos escritórios no mesmo edifício.



David Bowie gravou aqui quando viveu em Berlim. Low ainda implicou sessões noutras paragens, mas o álbum Heroes nasceu e ganhou forma dentro destes estúdios. Iggy Pop foi outra das presenças regulares na mesma época. Já em inícios dos anos 90, os U2 ali registaram, com Brian Eno e Daniel Lanois, o marcante Achtung Baby.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

40 anos depois : Space Oddity

David Bowie vai reeditar o clássico single de 1969 Space Oddity, não apenas para celebrar o 40º aniversário do seu lançamento, mas também para assinalar os 40 anos da chegada do homem à Lua. Space Oddity será reeditado a 20 de Julho (o dia em que Neil Armstrong fez História), surgindo a canção disponível em quatro versões: versão mono do single inglês, versão mono do single americano, versão estéreo do single americano e ainda uma regravação de 1979. Estará disponível também uma versão extra, com as oito pistas da gravação original em separado, convidado cada um a fazer a sua remistura da canção.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

David Bowie


Figura gigante e controversa da música popular, David Bowie dita modas desde os anos 70, mas percorreu um caminho acidentado até adquirir o estatuto de mega star. Teve uma infância difícil, onde a música funcionou como um género de escape. Aprendeu a tocar guitarra, mais tarde saxofone, e acabou por se juntar à banda de R&B, David Jones and the King Bees.
David Jones é o nome de família de David Bowie, que acabou por deixar para trás, em 1966, com o intuito de não ser confundido com o vocalista da banda norte-americana The Monkees, Davy Jones, que então se tornara internacionalmente conhecido.
Descontente com a falta de sucesso da banda onde estava inserido, Bowie largou o projecto e aventurou-se na edição do seu primeiro álbum a solo, "The World Of David Bowie", em 1967, com o qual o músico não viu melhor sorte. Desiludido, deixou a música, mas acabou por regressar, dois anos mais tarde, com o single "Space Oddity", que deu título ao álbum editado no mesmo ano. Na base desse regresso está Angela Barnet, com quem viria a casar anos mais tarde. A senhora tinha um amigo na Mercury Records, a quem pediu para ouvir a música do cantor e o resto é previsível.
David Bowie é destaque no Barco Ancorado desta sexta-feira, a propósito do seu 62º aniversário.

O sucesso alcançado com “Space Oddity” provocou em Bowie uma motivação tal, que o músico começou a editar discos todos os anos, às vezes até mais do que um por ano, sem dar ao público tempo suficiente para digerir o grande conteúdo dos álbuns.
Em 1970, surgia "The Man Who Sold the World", que levou Bowie aos EUA com o objectivo de promover o disco. No ano seguinte, era a vez de "Hunky Dory", uma espécie de disco homenagem a Bob Dylan e Andy Warhol, ao qual sucedeu o emblemático "The Rise and Fall of Ziggy Stardust".
A edição regular do "Camaleão" e as suas personagens prosseguiram com "Aladdin Sane" e "Pin-Ups", ambos de 1973; depois, foi a vez de "Diamond Dogs", "Young Americans" e a trilogia berlinense, "Station to Station", "Low" e "Heroes".
Ainda nesse ano, Bowie enveredou pela arte cinematográfica, tendo participado em "The Man Who Fell To Earth", e em 1979 retomava as edições discográficas com "Lodger", disco que ganhou forma sob a direcção do mestre da electrónica Brian Eno.

Chegava a década de 80, e Bowie conquistava uma nova legião de fãs com o álbum «Let's Dance», mas a popularidade que conquistara ao longo de vários anos decresceu quando os álbuns seguintes, "Tonight" e "Never Let Me Down", não foram muito bem acolhidos pelo público. No entanto, o cantor remediou a situação com grandiosas apresentações ao vivo dos discos incluídas na digressão "Glass Spider" que, de acordo com alguns boatos, custou cerca de vinte milhões de dólares.
Com o aproximar da década de 90, Bowie abandonou a carreira a solo e formou o quarteto Tin Machine que, após o lançamento de dois álbuns homónimos em 1989 e 1991, interrompeu a actividade, tendo o músico retomado o projecto a solo. Editou em 1993«Black Tie White Noise» e, dois anos depois, voltava a contar com a colaboração de Brian Eno, desta vez para o álbum «Outside». Nenhum dos trabalhos conseguiu grande volume de vendas, no entanto, o talento de Bowie não era posto em causa, como confirmavam os seus espectáculos. Na digressão de apresentação de «Outside», o músico contou com a participação dos Nine Inch Nails, incluídos no concerto com o objectivo de atrair a atenção do público mais jovem. O que Bowie não esperava era que o público em questão abandonasse o recinto após a actuação dos Inch Nails...

«Earthling» (1997), dominado por sonoridades drum n' bass e tecno, recebeu grandes elogios por parte da crítica, mas voltou a não convencer o público, suscitando até apreciações negativas por parte dos fãs da música tecno.
Em 1999, surgiu «Hours...», um álbum despido de artifícios, no qual o músico parece ter absorvido todas as influências que marcaram a sua carreira. Três anos depois, no mês de Junho, Bowie regressa aos escaparates com novo trabalho de originais, intitulado "Heathen".
Em Outubro de 2002 foi editado um álbum de revisão de carreira, "Best of Bowie", com 38 temas, sucedido por uma edição em DVD, onde foram incluídos todos os telediscos da carreira de Bowie.
Depois do aclamado álbum "Reality" (de 2003), David Bowie vive um invulgar hiato que dura há mais de 5 anos.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

::Some favourite songs::

Lou Reed :: Perfect Day :: trainspotting video


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David Bowie :: Heroes



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Arcade Fire :: Intervention



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