segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Dexter: a entrevista no final da temporada

Como fiquei estupefacto com o final da temporada e ainda o estou a assimilar apresento cá no blog a entrevista inédita a Michael C. Hall, o actor que dá a cara a Dexter, o serial killer mais cool do planeta.
Após o season finale de Dexter e antes de saber das indicações ao Globo de Ouro, a publicação EW, Entertainment Weekly, conversou com o protagonista da série, Michael C. Hall. Confira o que ele falou sobre o final da temporada:


Qual foi sua primeira reação ao saber que Rita (Julie Benz) morreria no final da temporada?


MH: Eu sabia o que ia acontecer há três ou quatro semanas antes de acontecer. Mas como ia acontecer eu só soube depois. Eu achei brilhante. Fiquei muito orgulhoso dos roteiristas da série, do canal, por não terem medo de dar um passo tão ousado. Realmente nos impulsionou muito e não poderia ser diferente. O que isso significa para o personagem é muito amplo.


Realmente, são muitas possibilidades. Dexter vai criar seu filho como pai solteiro? Ele estava dando mais sinais de humanidade, agora ele vai retornar com seu lado negro ainda mais forte?


MH: Será que ele fechou a porta para isso? Será que é “Bem, eu me ferrei. Meu pai tinha razão.”? E se essa for a conclusão, o que isso significa? Eu não estou dizendo que isso realmente vá acontecer. Difícil dizer. É uma coisa difícil imaginar o que um trauma como esse pode causar. Eu não sei o que isso pode fazer a uma pessoa.


Como foi filmar a cena da banheira em que Dexter descobre Rita e Harrison?


MH: Foi muito duro. A questão é que quando você assiste, parece uma espécie de slow motion lírico, mas na gravação foi tudo mais frenético e direto ao ponto. Entrar e ver esse bebê no sangue, deixar o banheiro, tudo aconteceu muito mais rápido do que a cena mostra. Mas foi horripilante. É o tipo de coisa que você só pode lidar com as conseqüências. De uma forma ou de outra, Dexter vai ficar vacilante por um bom tempo. Mas a Julie na banheira foi de cortar o coração, e o bebê no chão então… Foi muito sombrio. E também muito secreto. Algumas pessoas no set tinham acabado de saber o que ia acontecer. Então acho que todos estavam num processo privado, processando que estava sendo gravado, sobre o que isso significava para a série e para Julie.


O produtor executivo Clyve Phillips disse que Julie ficou muito desapontada ao saber o destino de sua personagem. Vocês conversaram sobre isso?


MH: Falamos sobre sua tristeza ao sair da série, mas durante as cenas nós sabíamos que tínhamos uma história pra contar e não queríamos fazer nada para estragar isso, não que isso pudesse acontecer. Eu acho que estava além da imaginação de Dexter que isso pudesse acontecer. A última cena que gravamos juntos foi a em que Dexter disse para Rita que acreditava poder ser seu único mestre, o mestre de sua compulsão, pareceu ser um jeito apropriado de dizer adeus àquele relacionamento. Julie sacrificou seu trabalho em favor da vitalidade da série. Eu devo dizer que minha primeira reação (aos acontecimentos) foi em relação a Julie: “O que vai ser da minha família sem ela?” Do ponto de vista da história foi uma ideia ousada, mas quanto a perdê-la como membro do elenco, foi um golpe para todos nós.


Na última conversa entre Dexter e Rita, ele se mostrou mais humano do que nunca…


MH: Se essa temporada não tivesse terminado do jeito que terminou, há um certo consenso de que ele talvez saísse dessa vida. De que se ele matasse Trinity, quem sabe não houvesse mais a quem matar. Talvez ele tivesse a noção de que esse seria o fim. Mas o final mudou tudo, Dexter experimentou um apetite por vingança que não pode saciar, então provavelmente acabaram as chances de humanidade.


O que você acha que se sobressaiu na cena em que Dexter finalmente mata Trinity?


MH: Tanto eu como John sabíamos o que ia acontecer. Nós definitivamente não queríamos que ela entregasse o que Dexter estava por descobrir. Nós quisemos que fosse uma morte única dentre todas. Por um lado, Dexter estava matando seu alvo mais formidável e havia um senso de orgulho e vitória nisso. E ao mesmo tempo uma real repulsa ao assassino Trinity, uma simultaneidade entre atração e apetite por uma conexão que transpassa pelo relacionamento deles e talvez Dexter tenha considerado até pedir alguns conselhos a ele, o que não poderia fazer a outras pessoas. E então aconteceu a virada. Sua natureza veio a tona e ele acertou a cabeça do cara deliciosamente. Nós tentamos navegar entre essas voltas e reviravoltas, tivemos uma certa malícia, mas demos mais atenção ao apetite de Dex por uma conexão. E claro que John também se aproveitou, na maneira como atuou, com os duplos significados do que disse a Dexter, o que foi extremamente eficiente em suas mãos.


O que você mais gostava no relacionamento entre Trinity e Dexter?


MH: Certamente a trama de Trinity criou um senso de intrigas. Foi sem dúvida o alvo mais formidável que Dexter encontrou, o que revitalizou a necessidade fundamental de Dexter de matar. Eu adorei os níveis que isso trouxe, do fato de Dexter se mostrar alguém diferente do que realmente é, com todo aquele conhecimento de que Trinity também estava fazendo o mesmo, embora houvessem ainda muitos outros segredos para descobrir. Havia sempre algo a ser aprendido e camadas de intriga sob a superfície. John e eu nos divertimos muito fazendo essas cenas. Ele é incrivelmente talentoso, cheio de nuances, inteligente, trazendo um genuíno senso de atuação. Eu acho que ele se divertiu muito fazendo a série e realmente nos infectou com esse senso e entusiasmo.
Qual foi sua cena favorita na temporada?


MH: Essa é difícil. Mas acho que o episódio de Ação de Graças teve o pior almoço de Ação de Graças já filmado. Tudo deu errado tão rapidamente. O dedo quebrado do filho, a filha que deu em cima de Dexter e mãe não se importar. Muitas sementes foram plantadas ali. Sentamos a mesa e ele disse “Cala boca” para a esposa, e 30 segundos depois eu estava no chão apontando uma faca e dizendo “Eu devia ter te matado quando tive a chance!”. Foi muito divertido. Rimos muito, ficávamos dizendo “Isso é tão insano!” Foi um dia muito bom.

Quantas temporadas Dexter pode ter?


MH: Vamos definitivamente fazer mais uma, além disso eu não sei. A série está mais popular do que nunca, e eu acredito que é desejo do canal continuar deixar a bola rolando, mas eu penso em uma coisa de cada vez. Tudo pode continuar infinitamente, e seguir para rumos inesperados, então eu apenas acredito que podemos continuar.


A entrevista original pode ser lida no site do Entertainmente Weekly.


1 comentário:

joão disse...

Grande post! Obrigado!!