sexta-feira, 22 de julho de 2011

Soderbergh - Contagion


Numa altura em que podemos descobrir (finalmente!...) o extraordinário The Girlfriend Experience/Confissões de uma Namorada de Serviço (2009), de Steven Soderbergh, vale a pena referir que o seu trabalho continua a ser um invulgar ziguezague temático, artístico e industrial. Assim, o seu próximo filme, Contagion (estreia portuguesa: 13 de Outubro) volta a reunir um elenco de luxo para contar uma história que tem a ver com uma inquietante epidemia viral — cartaz e trailer são magníficos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Boro in the box




O Grande Prémio da 19ª edição do "Curtas" de Vila do Conde foi para uma produção francesa: Boro in the Box, filme de Bertrand Mandico que evoca, em tom surreal, o universo do cineasta polaco Walerian Borowczyk (1923-2006). Na competição portuguesa, o vencedor foi O Nosso Homem, de Pedro Costa — site oficial do "Curtas".

terça-feira, 19 de julho de 2011

Hugo


Assim como Roman Polanski um dia realizou Oliver Twist (2005), também Martin Scorsese se virou para os filmes de aventuras familiares e vai de realizar Hugo, uma adaptação cinematográfica de «The Invention of Hugo Cabret», escrito por Brian Selznick. Mas com um acréscimo: esta será a primeira incursão do cineasta, visto por muitos como um dos poucos cineastas clássicos da actualidade, no universo do 3D.



A história centra-se num menino órfão de 12 anos que vive por entre as paredes de uma movimentada estação de comboios parisiense, em 1930. A sua sobrevivência depende do anonimato, mas subitamente o seu mundo encaixa com o de uma rapariga amante de livros e o de um velho amargo, dono de uma loja de brinquedos. O filme conta com um elenco de luxo: Asa Butterfield (The Boy in the Striped Pajamas), Chloe Moretz (Kick-Ass), Christopher Lee (The Lord of the Rings), Emily Mortimer (Match Point), Helen McCrory (The Queen), Jude Law (Cold Mountain), Sacha Baron Cohen (Sweeney Todd), Ben Kingsley (Ghandi) e Ray Winstone (The Departed).

Inicialmente era para se chamar The Invention of Hugo Cabret, mas a Paramount Pictures acabou por decidir nomeá-lo apenas como Hugo. Com argumento adaptado de John Logan (The Aviator) que volta a trabalhar com Martin Scorsese, mas numa história mais ligeira, Hugo estreia a 23 de Novembro de 2011.


Ler mais: http://splitscreen-blog.blogspot.com/#ixzz1SVD4Bw5W

domingo, 17 de julho de 2011

AS QUATRO VOLTAS




um filme de Michelangelo Frammartino
comGiuseppe Fuda
Nazareno Timpano
Bruno Timpano 




Um pastor idoso e doente aguarda o fim dos seus dias numa aldeia remota nas montanhas da Calábria, no Sul da Itália. Naquele lugar abandonado e congelado no tempo, a Natureza não conhece hierarquias. Cada ser, consciente do mundo exterior, tem uma alma que se move através de vidas sucessivas, em quatro voltas. Para o provar, a proximidade dos animais ou das árvores e as plantas dançando ao vento que, soprando, evoca a união entre todos. Segundo filme de Michelangelo Frammartino, nove anos depois de "Il Dono". 


Quinzena dos Realizadores - Cannes 2010
‹‹ Do homem à cabra, desta à árvore e desta ao carvão, como se de estafetas se tratasse, uma vida sucedendo-se à anterior como outra possibilidade, juntando, e são as "quatro voltas" do título, o humano, o animal, o vegetal e o mineral. Parece a fixação artificial de uma narrativa de reencarnação, e é verdade que o realizador se tem referido às tradições animistas da Calábria ou à passagem por ali de Pitágoras, filósofo e matemático grego, autor de teorias sobre a transmigração das almas. Tem-se referido mas tem-se distanciado serena e humildemente - como, aliás, Apichatpong Weerasethakul em relação a reencarnação.››


Vasco Câmara, Ípsilon 


Título original: Le Quattro Volte
Ano: 2010
Realização: Michelangelo Frammartino
Interpretação: Giuseppe Fuda, Nazareno Timpano , Bruno Timpano
Origem: Itália, Suíça, Alemanha
Duração: 88 min.
Classificação: M/12

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Destroyer, Kaputt







Destroyer
“Kaputt”
Merge
5 / 5
A voracidade com que muitas vezes consumimos hoje a novidade faz com que, por vezes, passemos a leste de momentos que não nos despertam a atenção imediata... Nada como, por vezes, deixar passar um tempo. Pelo que o momento do lançamento local de Kaputt pode ser o instante para regressar a um disco que, lançado em inícios do ano, vai ainda bem a tempo de acabar reconhecido como uma das pérolas maiores de 2011. Este é o mais recente disco de Destroyer, o projecto pessoal do canadiano Daniel Bejar (desde há alguns anos um elemento-chave no corpo dos New Pornographers). O disco eleva a um patamar de excelência a demanda de uma linguagem pessoal que, disco após disco, Bejar tem procurado talhar não apenas na composição como na escrita de palavras que sustentam olhares que ligam factos concretos do mundo a todo um quadro de reflexões. Em Kaputt Bejar dá-nos um conciso, mas intenso, ciclo de canções no qual cruza a elegância de uma pop que evoca o requinte das formas de uns Roxy Music de finais de 70 e inícios de 80 (entreManifesto e Flesh & Blood, portanto) e o discreto travo jazzy de uns Steely Dan. A composição entende contudo um sentido de espaço que transcende por vezes a lógica mais fechada da canção pop e, como podemos constatar em Suicide Demo For Kara walker ou no extenso Bay Of Pigs, junta à “narrativa” uma série de planos adicionais que somam uma dimensão de horizontes mais vastos. As ferramentas texturais mais características da música ambiental mostram então nesses instantes como as heranças mais remotas de um Brian Eno ou as mais recentes viagens prog de uns Air podem representar novos pontos de partida para instantes que libertam a canção rumo a novos sentidos. Electrónicas e todo um quadro de instrumentos, uma política de música pela música, uma voz que se sabe fazer escutar e uma belíssima colecções fazem assim de Kaputt um dos mais belos discos que 2011 nos deu a escutar. Quem disse que a pop não tem novidades para nos contar?



Publicada por Nuno Galopim em http://sound--vision.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de julho de 2011

THE GIRLFRIEND EXPERIENCE: Namorada de aluguer



Confissões de uma namorada de Serviço, de Steven Soderbergh


O melhor filme de Soderbergh desde Sexo, Mentiras e Vídeo, todo realizado à base da experimentação e do improvis0

 Steven Soderbergh é um realizador com vincados traços de bipolaridade. Quem vir este filme dificilmente desconfia de que se trata do mesmo autor de Ocean's Eleven (2001), Tráfico (2000) ou Erin Brockovich (2000). Mas talvez se reconheçam algumas semelhanças com Sexo, Mentiras e Vídeo (1989) ou Bubble, filme de 2005, passado na América profunda que nem sequer teve estreia comercial no nosso país. Em suma, Soderbergh talvez seja o exemplo acabado que orçamentos maiores nem sempre significam filmes melhores, bem pelo contrário. As melhores obras do realizador são mesmo aquelas que tiveram custos mais baixos, como se vê em The Girlfriend Experience, traduzido em português para Confissões de uma namorada de Serviço, o seu melhor filme desde Sexo, Mentiras e Vídeo, todo realizado na base da experimentação e do improviso.
Para o papel principal, imagine-se, chamou Sasha Grey, uma 'estrela' do cinema pornográfico americano. Não é a primeira vez que um ator do género dá um súbito e provisório salto para outros cinemas: basta lembrar Coma Profundo, de David Cronenberg, Os Idiotas, de Gus Van Sant, ou, mais recentemente, Homem no Banho, de Cristoph Honoré, que recrutou um ator hardcore gay. A verdadeira originalidade de Soderbergh neste domínio é a total ausência de pornografia. Ou seja, por estranho que possa parecer, achou que a profundidade e experiência da atriz poderiam enriquecer interiormente a personagem. Ou, mais do que isso, achou fascinante desconstruí-la, de fora para dentro.
Chelsea não é propriamente uma prostituta de alta roda, nem sequer uma acompanhante de luxo, o seu ofício é bastante mais subtil e refinado. É mais uma namorada de aluguer, com a qual os clientes yuppies podem conversar, jantar e, claro, levar para a cama. Há um snobismo fashion, uma mania das marcas, uma elegância elitista, mas não há as mais que batidas fantasias sexuais. Aliás, o sexo, por absurdo que possa parecer, está sobretudo implícito. Outro cliché derrotado é que os clientes não são velhos, nem obesos, nem têm ar repugnante, antes pelo contrário, com um estilo jovem e yuppie, dos quais, eventualmente, não se esperaria que recorressem a tais serviços. Mas, como se disse, é sobretudo um serviço de companhia, como as damas de companhia que outrora entretiam gerontes endinheirados. Mas o que isto revela, acima de tudo, é uma imensa solidão numa classe alta, que cria à sua volta um mundo de tal forma cru, que até o carinho se paga.
Ela é quem eles querem que ela seja e o filme é sobre quem ela é. Um make-up desfeito, um creme desmaquilhador, por baixo da máscara está outra máscara, nunca chegaremos à pele, mas vale a pena tentar. O próprio filme está realizado à flor da pele, sem maquilhagem, com uma rudeza de meios indie, e uma câmara solta, de enquadramentos invulgares, um argumento livre, que foge a lugares comuns. Todo o filme respira essa liberdade estética, que lembra Hal Hartley, Jim Jarmush, Robert Altman, Jonathan Demme ou, porque não, Jean-Luc Godard.
O espaço para o improviso foi mesmo a técnica seguida. O improviso da câmara e dos atores. E é por isso que o filme respira desta forma e sai de todos os padrões a que Soderbergh nos habituou, mesmo nos projetos mais alternativos. Contudo, no meio desta trama minimalista, feita de flashes, com extraordinários momentos musicais, há também uma parábola económica. Porque se há mundo sem moral é o da economia. E no final percebe-se que, para certas pessoas, um abraço é uma excentricidade milionária.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Matar para Viver: ASSASSINO NATO

O segundo retorno de fim de carreira do realizador septuagenário Jerzy Skolomowski: uma lenda, plena de som e de fúria, sem nenhum significado, em queda livre até à pré-civilização

Ana Margarida de Carvalho
16:15 Quarta feira, 22 de Jun de 2011 
É a jornada angustiante e (des)norteada de um homem encurralado - primeiro na paisagem lunar do Afeganistão com seus ardentes desertos e inquietas ravinas, depois na paisagem igualmente lunar, na florestas refrigeradas do norte, talvez na Polónia ou na Noruega, tanto faz. E também quase tanto faz tratar-se de um homem. Neste caso um Talibã, capturado pelos militares americanos, ensurdecido por um disparo de helicóptero, torturado e deslocalizado para estas paragens do primeiro mundo, onde a fuga e os assassinatos em série acontecem porque simplesmente se proporcionam. Diz-se um homem, podia tratar-se de uma daquelas raposas desorientadas, perseguidas pela algazarra da matilha de Beagles e estranhos seres de casaca encarnada montados noutros animais galopantes. Ou aquelas que preferem roer a própria pata para escaparem da armadilha. Este foge, porque sim. E mata, porque sim, também. Porque tem de ser, a sobrevivência é mesmo assim crua, silenciosa, brutal, selvagem, obstinada. E essencial, como diz a versão original do título, Essential Killing.

Este segundo regresso (Matar para Viver estreia-se quinta, dia 23) do veterano polaco, Jerzy Skolimowski, realizador e artista, depois de décadas de afastamento das câmaras -

o último filme foi o gélido, azulado e também cheio de instintos básicos 4 Noites com Anna (2008)-, pode parecer um thriller de perseguição, em que a presa se torna caçador. Aliás, é curioso o exercício de imaginar este filme feito segundo os cânones de Hollywood. Nas mãos de Skolimowski ele torna-se um thriller existencial, minimalista, em que o barbudo afegão (só sabemos que ele se chama Mohammed pelos créditos finais), não pronuncia uma única palavra ao longo do filme. Limita-se arfar, a gemer, a urrar, a tremer de medo e de frio, a matar a fome e as pessoas também a frio, a alucinar também no frio - pelos vistos também podem acontecer miragens em desertos gelados. É uma interpretação gutural, de uma fisicalidade absoluta, e que garantiu a Vicent Gallo o prémio de melhor ator no Festival de Veneza - aliás, o próprio filme saiu premiado. 

Disponível para matar

Através de panorâmicas gerais, travellings aéreos, a exibir a pequenez deste animal ferido que vai deixando rasto na paisagem - a neve é um denunciante implacável para um fugitivo ensanguentado -, ou de planos subjectivos, com um design sonoro absolutamente notável e torturante (ou a estridência da banda sonora, ou as pás dos helicópteros, ou as grilhetas nos pés dos prisioneiros, ou os latidos dos cães, ou o grasnar dos corvos, ou o sopro inclemente do vento ou a música infernal de um auto-rádio...), o filme é apenas o retrato implacável de um homem e das suas circunstâncias. Fazer-lhe uma leitura politizada, aprofundar a controvérsia da guerra (daquela em particular e de todas), da cobertura que os países europeus deram aos americanos e aos seus métodos de tortura medicamente assistida está tão implícita que só empalideceria a história. Reduzido ao um estado primitivo, sem rumo nem direcção, está um homem em estado de pré-civilização, que corre sem GPS, não sabe para onde, apenas sabe que tem de correr e matar o que for preciso, de comer o que for preciso, casca de árvore, peixe cru, bagas... Amamenta-se de uma mulher como no livro de Steinbeck, As vinhas da Îra (aqui sem ternura nenhuma), também porque tem que ser. E prossegue a corrida visceral naquelas paisagens alienígenas para onde o levaram, a milhares de quilómetros de casa, tão desesperado como um King Kong em Manhattan. Sem planos, sem destino, ele apenas foge, acossado. Matas ou és morto: a absurda lei da vida.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Moda e ficção


Corpos expostos. Corpos ocultos na sua exposição. Pele e calor. Frio e metal.Uma pista no FashionProduction. Outras no site oficial.O espanhol Jesús Alonso pratica a fotografia de moda como quem abre os espaços de um novo capítulo de ficção científica. Moderno e estranhamente primitivo

domingo, 10 de julho de 2011

Washed Out – Within and Without (2011)




by Mike Mineo

Like many groups propelled by a string of excellent EPs to open their careers, Ernest Greene experienced a boatload of hype leading up to his debut full-length. Under the alias of Washed Out, he has been at the forefront of the chillwave movement since 2009. However, unlike the fervent presence of many other stylistic contemporaries, Greene remained fairly low-key. Never a frequent interviewee or live performer, he has become entrenched in an enigma that is reflective of his music; its presence is initially subtle and low-key, but later unveils itself as something intricate, unique, and worthy of attention. As of late, signing to Sub Pop and appearing at a number of festivals has somewhat relinquished his mysterious enigma, but Greene’s full-length debut Within and Withoutshows no signs of conforming to a recent trend – even if the movement he specializes in is considered just that by many people.

As impressive as Greene’s early string of releases was, they didn’t exactly present themselves as the epitome of consistent stylistic direction. Some tracks, like the highly memorable “Belong”, recalled shimmering key-led elements of Afro-pop and Adult-Contemporary lite-pop, while others like “Get Up” were more adventurous practices in sampling. His voice was rarely the dominant factor, often placed masterfully under the rich electronic mix similarly to Noah Lennox. Greene’s compositional skills and production tendencies – from the odes to recent stylistic revivals to clinics in choppy sampling – were certainly unique; it often resulted in some of the most caressing and intricately layered sounds you are bound to hear from any artist within the “chillwave” classification. Such feats make it easy to recognize why Within and Without was so anticipated.

Without getting overly complicated, Within and Without is a continuation of aspects touched upon throughout Greene’s early EPs, but with a steadily rising emphasis on infusions of trip-hop – hence more use of percussion that isn’t nearly as stiff or automated as the loops present in his early material. Sampling is also severely minimized, with the exception of small snippets like the female vocal clip in “Before” which adds a Jet Set Radio/blurring neon lights in Tokyo sort of feel. Cibo Matto on (more) drugs, perhaps. Unlike before, the sampling is rarely an essential factor in the songs, making Within and Without the clearest example of Greene’s songwriting to date. That’s not to say it’s a no-frills release though; the production reaches several moments of utter grandiosity, like the stirring strings throughout “Far Away”, the devastating synth build-up in “You and I”, and the twinkling anthem-like appeal of the highly accessible “Far Away”. They are simply accomplished with more naturally instinctive pop smarts.

Within and Without... out 7/12

“Echoes” is led by a bass line with plenty of swagger and appeal, approaching hip-hop schematics in its structural repetition but also dance in its actual simplified melody. This bass hybrid is better perfected on “Before”, a gorgeously crafted gem with chirping and arp-led samples that best define Greene’s recent fascination with trip-hop. With this track, he Perry, Georgia native has crafted one of his best. The beginning touts brass-like synths with the exuberance of a dance party, until the slowly ascending bass line coincides with his soft-spoken voice. The low-key elements eventually pick themselves up during the chorus, enhanced by only a slight key twinkle over the same bass line. Moments like these, regardless of how subtly incorporated they are, provide enormous hooks that rank tracks like “Before”, “Far Away”, and “Amor Fati” among Greene’s best.

While the mid-section of the album boasts a wide array of infectious appeal, the first two tracks – “Eyes Be Closed” and “Echoes” – tend to focus more on atmospheric introductions. It wouldn’t be unnecessary to compare the fragile bursts on “Eyes Be Closed” to resemble the New Age sounds of Enigma and ERA. This style presents plenty of easy-listening and atmospheric preparation, but its idleness begins to poke at the listener by mid-point. Even as the fade-out and fade-in occurs after the three-minute mark to introduce an explosive verse of sorts, the effect is not nearly as effective as when done toward the end of “You and I”, an effort more indicative of Greene’s multiple stylistic strengths – particularly the infusion of Afro-pop into areas of dubstep, lo-fi rock, and synth-pop. Both these tracks rely on a sweeping of tribal drums to bring back a suppressed verse, but only one – “You and I” – does so with enough vigor to create a memorable aura. “Echoes”, while bursting with more energy than “Eyes Be Closed”, is just as overly lengthy; it tends to rely on amateur additions like sudden arp inclusions and hypnotic key repetitions, which sound exotic and initially alluring, but tends to abandon Greene’s wildly impressive pop instincts. These are instincts which come out fully on the majority for the album, so the first two tracks are somewhat puzzling in both their sequencing and overall production.

One of the album’s biggest strengths, the illustriously lush “Soft”, sounds like what “Eyes Be Closed” attempted to achieve. The production is boasted by heavy reverb almost reminiscent of shoegaze, but with the caressing elements of chillwave – like chirpy keys and the sound of disco-pop entrenched in lovable ‘80s stereotypes – it is hardly a departure from what Greene does best. The track is not an in-your-face explosion of varying layers, but its memory will leave an imprint on any listener because of its frail beauty and beautifully naturalized structure. It is easily one of Greene’s best, and finds a perfect place on the album between energetic pop hybrids like “Amor Fati” and “Far Away”. Despite one or two missteps, Within and Without is a very strong album led by efforts like these. The mid-section of the album is relatively flawless. For fans of Washed Out it is hard to imagine being unsatisfied. After a few short releases that left listeners wanting more, Within and Without should satiate them to the fullest extent with fully-packed gems like “Soft”, “You and I”, and “Before”.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cass McCombs, Wit's End


Cass McCombs
"Wit’s End"
Domino Records
4 / 5
Esperou anos e correu pelas estradas e ruas de cidades norte-americanas até ver o seu nome na capa de um primeiro disco. Não deixou de caminhar e procurar um lugar seu desde então, quer no espaço quer na música. Acabou por reencontrar os caminhos que o levaram de regresso à Califórnia e, disco após disco, uma voz que agora, ao quinto álbum, tem já a solidez de quem há muito deixou de procurar o abc de como se constrói uma personalidade para, através dela, definir agora todo um quadro de retratos e reflexões. Wit’s End é o quinto álbum de Cass McCombs e, talvez, o seu maior feito. A voz e a guitarra acústica partilham o protagonismo que estrutura as canções, mas à sua volta crescem discretos arranjos que, sem nunca ofuscar o diálogo central para palavras e cordas dedilhadas, acabam por conferir uma noção de corpo às canções. São trovas feitas de melancolia e solidão onde Cass McCombs procura trabalhar a escrita sem nunca perder em conta que, na verdade, é a canção que mora no destino do seu esforço criativo. Wit’s End, um pouco como os anteriores discos do músico, não parece destinado a ser daqueles álbuns que colhem entusiasmos transversais para de si fazer os “casos” de cada ano que passa. Mas, mais que nunca, consegue aqui reunir uma espantosa colecção de canções. Que não precisam de querer ser mais do que aquilo que são para justificar um encontro com um belo disco herdeiro de várias heranças da folk (e arredores).




Noel Gallager com disco novo em Outubro


mais!
Noel Gallagher anuncia álbum de retorno para outubro
Noel Gallagher anunciou o lançamento de “Noel Gallagher’s High Flying Birds”, seu álbum de estreia, para 17 de outubro. Ainda na coletiva foi dito que Noel produziu mais outro disco que deve ser lançado no ano que vem, esse com parceria com a Amorphous Androgynous.

“Noel Gallagher’s High Flying Birds” foi produzido por Dave Sardy, que também esteve por trás dos dois últimos álbuns do Oasis. Sobre o disco, Noel disse que há ecos de suas antiga banda, “mas não tem um solo de guitarra sequer até a sexta música do álbum”.

Sobre o Oasis, Noel afirmou: “Realmente lamento o fim do Oasis, mas também faltavam só mais dois shows para terminar a turnê”. Já sobre a nova banda de Liam Gallagher, o Beady Eye, o músico comentou: “As letras não são tão boas. São piores do que as piores coisas que fizemos no pior álbum do Oasis. Vi a banda ao vivo pela TV, fiquei bem confuso. Mas prefiro não opinar mais para preservar o grupo que eu ainda tenho alguns amigos”. E diretamente falando sobre seu irmão, “ele deve ser melhor sem im, agora ele está no comando”.

Noel começará sua turnê em outubro com o primeiro show em Dublin, no dia 23 do mês em questão. Na coletiva o músico disse que tocará composições do Oasis em seus shows. “Não posso sair de um show sem tocar músicas do Oasis. Eu as escrevi, elas são minhas. São como drogas pra mim”.

Outras informações em breve no site oficial do músico. Ou mesmo no OasisNews.

Abaixo, a tracklisting de “Noel Gallagher’s The High Flying Birds”:

1. “Everybody’s On The Run”
2. “Dream On”
3. “If I Had A Gun…”
4. “The Death Of You And Me”
5. “(I Wanna Live In A Dream In My) Record Machine”
6. “AKA… What A Life!”
7. “Soldier Boys And Jesus Freaks”
8. “AKA… Broken Arrow”
9. “(Stranded On) The Wrong Beach”
10. “Stop The Clocks”

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Raconteurs de volta aos palcos


raconteurs


Uma das ótimas bandas formadas por Jack White, a Raconteurs, acaba de anunciar que quebrará o silêncio de dois anos sem shows. A banda se apresentará no MI Fest, no dia 17 de setembro em Michigan,


Além de Jack White, o responsável pelo, agora finado, White Stripes, o Raconteurs conta com Brendan Benson, Jack Lawrence e Patrick Keeler e traz em sua bagagem dois álbuns, “Broken Boy Soldiers” de 2006 e “Consolers Of The Lonely“, de 2008.


A banda não informou se fará mais shows além deste ou se pretende lançar mais um álbum de inéditas.

40 anos da morte do jim

Os ex-integrantes do The Doors, o tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robby Krieger, visitaram o túmulo de Jim Morrison neste domingo (3), no cemitério parisiense de Pere-Lachaise, 40 anos após a morte do cantor.


Além dos músicos, fãs do líder dos Doors também compareceram ao local com t-shirts da banda de rock dos anos 1960.

Jim Morrison morreu em 3 de julho de 1971, em Paris, em decorrência de um ataque cardíaco

Skolimowski: cinema e perdição



Com a estreia de Matar para Viver, o nome do cineasta polaco Jerzy Skolimowski volta a estar na nossa actualidade: é o reencontro com um dos grandes do cinema europeu — este texto foi publicado no Diário de Notícias (26 de Junho), com o título 'Filmes e memórias de Skolimowski'.


Com a estreia do brilhante Matar para Viver, de Jerzy Skolimowski, podemos reencontrar, não apenas um nome emblemático dos tempos heróicos da “nova vaga” do cinema polaco (a par de Roman Polanski ou Krzysztof Zanussi), mas também um dos maiores autores do cinema europeu das últimas décadas. Marcada por muitos ziguezagues, geográficos e de produção, a sua carreira renasceu em 2008 graças ao admirável Quatro Noites com Anna, produzido por Paulo Branco. Agora, com Matar para Viver, história de um homem perseguido por militares americanos, algures numa paisagem desértica, Skolimowski relança um dos temas fulcrais da sua obra. A saber: o enigma que nos faz pertencer a um determinado cenário, seja ele concreto ou abstracto, sensual ou espiritual, cultural ou mitológico.


Vale a pena, por isso mesmo, evocarmos um dos seus grandes filmes, Deep End, produção inglesa de 1970, fábula urbana sobre a descoberta do sexo e do amor. No seu centro está Mike (John Moulder Brown), um jovem de 15 anos que começa a trabalhar numa piscina pública, encontrando como companheira uma rapariga um pouco mais velha, Susan (Jane Asher). Desesperadamente apaixonado por Susan, Mike vai viver uma odisseia que o faz oscilar entre a descoberta do mais baixo mercantilismo (o modo como alguns clientes da piscina esperam “favores” sexuais dos seus empregados) e a mais radical utopia do movimento amoroso.



Nos seus melhores filmes, Skolimowski [foto] sempre filmou estes heróis desamparados e comoventes. Para além das óbvias diferenças dramáticas e contextuais, aquilo que une os protagonistas de Deep End e Matar para Viver é a mesma desesperada fuga para a frente. Ameaçado em qualquer cenário, o fugitivo de Matar para Viver foi despojado de tudo, desde a roupa até à sua história, só lhe restando o desejo de sobrevivência como motor existencial. Em Deep End, Mike vive um dilema quase religioso: será que a adoração de Susan é também um caminho de irreversível e solitária perdição?


Não vivemos, infelizmente, num contexto comercial e cultural que favoreça estas memórias cruzadas entre filmes. Basta observarmos os conceitos de ficção audiovisual que passaram a dominar o espaço televisivo... Para nos ficarmos pelo domínio específico do mercado cinematográfico, lembremos que é pena que esse mercado não arrisque mais na relação com os filmes “antigos”, inventando (ou reinventando) modelos alternativos de difusão.


Em todo o caso, não tenhamos ilusões: importa olhar para as atribulações da exibição cinematográfica com desprendimento e, se possível, algum sereno humor. Assim, lembremos que Deep End estreou em Portugal com um dos mais espantosos títulos “moralizadores” de que há memoria. Ou seja: Deep End (expressão que, para além das conotações simbólicas, designa a parte mais funda de uma piscina) deu em português... Adolescente Perversa.