quinta-feira, 26 de maio de 2011

América



América: O mundo ali ao lado
A América que se descobre no filme de João Nuno Pinto também é uma terra de sonhos num país de imigrantes. Mas é uma terra de sonhos perdidos, num cenário de claustrofobia à beira-mar, no bairro da Cova do Vapor, na margem Sul do Tejo. A ideia de um país encurralado entre o mar e o seu destino. Uma brilhante primeira obra, escrita a meias com Luísa Costa Gomes. Grandes interpretações de Fernando Luís, Dinarte Branco, Chulpan Khamatova e a última prestação no cinema de Raul Solnado. O filme dramático, que junta sem perder realismo comédia e tragédia. Porque também faz falta rirmo-nos de nós próprios.





Manuel Halpern

A América que se descobre no filme de João Nuno Pinto também é uma terra de sonhos num país de imigrantes. Mas é uma terra de sonhos perdidos, num cenário de claustrofobia à beira-mar, no bairro da Cova do Vapor, na margem Sul do Tejo. A ideia de um país encurralado entre o mar e o seu destino. Uma brilhante primeira obra, escrita a meias com Luísa Costa Gomes. Grandes interpretações de Fernando Luís, Dinarte Branco, Chulpan Khamatova e a última prestação no cinema de Raul Solnado. O filme dramático, que junta sem perder realismo comédia e tragédia. Porque também faz falta rirmo-nos de nós próprios. 





O seu filme tem a habilidade juntar sentimentos e perspetivas antagónicos. Tudo é trágico e tudo é cómico, sem perder o realismo. Como conseguiu esse equilíbrio? 


Há uma comédia na tragédia. O argumento original da Luísa era uma comédia. Eu fui introduzindo o lado da tragédia. O mais interessante para mim era o drama destas personagens e destas histórias. O que me atraiu desde início foi o lado mais burlesco que a Luísa faz bem. Quis manter o drama e a densidade desta história, sem perder um determinado humor, mais mordaz, que também faz parte da vida. 





Consegue isso em parte através da personagem central, a russa, que é totalmente trágica. Ela vem de um país hostil e descobre-se no meio de uma espécie de Kusturika à portuguesa... 


O lado interessante é o contraste entre uma seriedade e certos valores humanos que ela tem perante a vida e a estupidez, a incompetência, que é o lado mais português da coisa. Esse contraste tem a ver com as diferenças culturais, das várias nacionalidades que se cruzam ali. Sem dúvida que a Lisa é uma personagem muito sofrida. O drama dela é estar num mundo em que as regras são outras. É um papel muito difícil, está sempre prestes a explodir, no limite do desespero. Isso é contrabalançado com os outros, porque não queria fazer um filme completamente negro. Quis jogar com as emoções, a angústia e o riso. 





O lado burlesco é dado pelas outras personagens, que são uma espécie de 'cromos', mas são 'cromos' que facilmente reconhecemos. 


Sim, mas também eles vivem os seus próprios dramas. Explorados e exploradores estão perdidos naquele espaço, não há ninguém que veja uma luz. Até o personagem mais rocambolesco, que tem o papel do comic relief, que é o Matias, o brasileiro, no fim também está completamente encostado. 





Há ali uma outra personagem que força constantemente a saída, que é o Armando, o empreendedor. Serve como retrato de quanto é difícil criar coisa novas em Portugal? 


As personagens portuguesas acabam por estar tipificadas em certos comportamentos que têm a ver connosco. Desde o Vítor, que é o Chico Esperto, com muito pouca ética que acha que só os otários não enganam os outros. O Armando é empreendedor sem bases nenhumas. Ele nunca está satisfeito: quando enganam as velhinhas quer passar para os passaportes, depois quer passar para as burlas na Internet, mas obviamente nenhum tem a noção do que é a tecnologia. A ideia surgiu quando se dizia que o choque tecnológico iria salvar Portugal. O Melo representa o Portugal que está a morrer, o tipo que tem valores, que é um bom artesão... A avó Eulália, por seu lado, é o Portugal em agonia, que quer morrer, mas não lhe deixam. 





Os atores são muito bons. Parecem encaixar perfeitamente nas personagens, talvez por as personagens não serem demasiado abertas. Como fez? 


O grande segredo foi o casting, encontrar o ator certo para cada personagem. Todos eles fazem aquilo de forma muito orgânica. Mas houve uma grande preparação antes. Também tive sorte, porque aqueles atores fabulosos aceitaram trabalhar com um realizador desconhecido. A Chulpan é das atrizes mais conceituadas na Rússia. 






E foi a última participação de Raul Solnado no cinema... 


Para mim o Raul era o único ator que poderia fazer o papel do Melo. O que me atraiu foi ter o Raul num papel mais trágico. Se fosse um papel de comédia iria ser o Raul, assim é aquele personagem. Isso é que funciona. Ele acabou por não ver o filme. O filme ficou pronto em setembro e ele faleceu em agosto. E não foi o único, o ator espanhol, o Paco Meyer também faleceu entretanto. 





Este Portugal acaba por se transformar numa América de sonhos perdidos. 


É isso que está acontecer. Nós tínhamos uma população heterogénea, luso-descendente, com muita imigração africana. Hoje temos algo completamente diferente, pessoas que vêm do Brasil, Europa de Leste, Índia, China, Espanha... Era um retrato que queria fazer, Portugal está a ficar parecido com a América, um país formado por imigrantes. Há escolas em que metade dos alunos são filhos de imigrantes. Mas aqui quis colocar o ponto de vista numa imigrante. 





Assim rimo-nos de nós próprios. 


O que é importante. E verifica-se que, apesar de todo o tempo que passou, o filme está mais atual do que nunca. Porque fala de um país encalhado, em que as pessoas que estão não têm perspetivas. Que é que se passa hoje em dia, há uma depressão latente... e o filme ganhou ainda mais atualidade. 





A Cova do Vapor fica à beira mar, tem tudo para ser um sítio bonito, mas ali torna-se uma prisão, o que aumenta a ironia... 


A beleza daquela paisagem... Este mar que é tão belo e poderoso é também o que nos aprisiona. O mar representa a nossa glória passada, mas ali é ao contrário. Porque essa glória está ligada ao sair daqui, mas ali obriga-nos a ficar. Ela comparta-se como se estivesse numa ilha. No filme o espaço físico é uma representação do espaço psicológico das personagens. E cada vez que sai de casa está num labirinto de ruas e nunca consegue chegar. 





Quando finalmente encontra uma saída acaba por ficar presa por tudo o que não queria deixar para trás. 


É o que a prende o filme todo. Ela não é uma heroína, no sentido de fazer grandes feitos, a única coisa que ela quer é uma vida normal com a sua família. A criança de início não fala, mas é a personagem mais manipuladora. Se há personagem que sai vitoriosa do filme é mesmo a criança. 




fonte

quarta-feira, 25 de maio de 2011

The National em Lisboa

he National
The National no Campo Pequeno, Lisboa [texto + fotogaleria] -


Verdadeiro fenómeno de culto entre os portugueses, os National assinaram esta noite um concerto vibrante e brindaram os fãs lisboetas com algumas surpresas.


Correndo o risco de oferecer o corpo às balas, sinceramente os National nunca fizeram disparar o nosso sinal de alarme. Foi com isto na consciência que partimos hoje de espírito livre para o concerto da banda norte-americana num Campo Pequeno perto de lotado.

O rótulo de banda de culto está-lhes bem colado à pele e a verdade é que até simpatizamos com a atitude desprendida e cool de Matt Berninger (é a sua voz pálida e pouco elástica que nos deixa infelizes por não conseguirmos gostar mais dele) e com as roupagens luxuosas de canções tão bonitas quanto "Fake Empire", "Conversation 16" ou "Bloodbuzz Ohio"... Será que 1h45 de concerto nos fariam passar para o lado dos convertidos? Não sabíamos e ainda não sabemos, apesar de termos baixado algumas resistências ao longo do espetáculo.

Baseado largamente no mais recente High Violet e no antecessor Boxer , o concerto dos National em Lisboa passou também por alguns momentos mais memoráveis dos primeiros discos, com "Friend of Mine", de Alligator , a merecer aqui uma menção especial. Além de só ter sido apresentado em palco por duas vezes, já não era tocado pela banda há sete anos: "O que quer que façam, não saiam depois desta canção. Esta é para vocês Portugal. Cuidado com o que desejam", avisaram antes de partir para o tema que abriria o primeiro encore.

Uma hora antes, o início da atuação seria colorido a tons violeta, como convém, para um "Start a War" recebido sob chuva de aplausos. A voz de Berninger soltava-se desbragada e o cantor jogou o seu charme natural, algures entre um Stuart Staples menos aveludado e um Ian Curtis mais equilibrado, enquanto cantava sobre desafiar alguém a ir-se embora. Parece ameaça, mas nós não levámos a sério.

A viagem seguiria depois por "Anyone's Ghost" e "Secret Meeting", que mantêm o registo de lamuriosos desencontros amorosos e é por aqui que vamos pensando com os nossos botões: "ok, excelentes músicos, mas já passámos esta fase". E então entra, com uma certa urgência, "Bloodbuzz Ohio" e recuperamos o ânimo enquanto Matt Berninger se perde em palco na sua imagem de artista autocomiserado.

"Slow Show", recuperado a Boxer , mantém o público em alta e torna-se facilmente um dos momentos mais empolgantes da primeira parte do concerto. Segue-se, sem parar e com bateria cavalgante, por "Squalor Victoria" adentro, com o vocalista a caminhar na corda bamba da histeria. E eis que nos afasta novamente, com a berraria e com um "Afraid of Everyone" que, francamente, nos entedia.

Elogiada a sala de espetáculos lisboeta e verbalizada a felicidade por estarem de volta a Portugal e a Lisboa, os National prosseguem depois por uma "super angry" "Abel", arrancada a ferros a Alligator . "Sorrow" leva-nos de volta a território conhecido e cobre o palco de nuvens negras. Só voltamos a focar-nos no palco com a sedutora "Conversation 16", tão boa em palco - ou melhor - que em disco.

"Lucky You" regressa - em registo intimista - a 2003, "Esta é mesmo velha" avisam, e "England" mantém uma acalmia agradável com a ajuda de teclados serpenteantes. A magia de "Fake Empire" é, então, reconhecida aos primeiros acordes e o coro avoluma-se para rebentar na maior ovação da noite. E nós vamos com ela. Primeira saída de palco.

Continuamos a bordo com "Friend of Mine", mais a partilhar do entusiasmo genuíno da plateia que outra coisa qualquer, e "Mr. November" transporta-nos de volta a recordações dos Joy Division. "Terrible Love" encerraria o primeiro encore com Berninger a ser engolido pela multidão, cantando a plenos pulmões.

De volta ao palco com o mesmo copo (ou seria outro?) na mão, o intimismo de "About Today" serviria de aperitivo ao derradeiro momento arrepiante da noite (e não é que com esta arriscam-se mesmo a conquistar um novo fã!?): enternecedora q.b., "Vanderlyle Crybaby Geeks" é tocada e cantada sem amplificação e com ajuda, de peso, do Campo Pequeno. "Ajudem-nos a cantar. Sabemos que são bons a cantar, por isso cantem muito", desafiam. E nós cantaríamos, com certeza, se soubéssemos a letra.

A primeira parte do concerto ficou a cargo de uns (mais que) convincentes Dark Dark Dark. O coletivo de Minneapolis, brilhantemente liderado pela voz límpida de Nona Marie Invie, contou as suas histórias de acordeão e clarinete em riste num ambiente que era o do Campo Pequeno mas que poderia muito bem ser o de um clube de jazz decadente, sedutor com o seu fumo de cigarro. "É a nossa primeira vez em Lisboa e é praticamente um sonho tornado realidade tocar com os National. Adoramos Portugal", diria a cantora antes de se despedir com o docinho "Daydreaming" de um público que, a avaliar pela receção, não terá problemas em vir a adorá-los também.

Depois desta noite quente, muito quente, saímos da sala lisboeta a perceber um pouco melhor a dimensão do fenómeno National. Ainda assim, continuamos a entendê-lo tão pouco quanto os fãs entenderão este texto. Não os censuramos.

Alinhamento
Start a War
Anyone's Ghost
Secret Meeting
Bloodbuzz Ohio
Slow Show
Squalor Victoria
Afraid Of Everyone
Little Faith
Abel
All The Wine
Sorrow
Apartment Story
Conversation 16
Lucky You
England
Fake Empire

Friend of Mine
Mr. November
Terrible Love

About Today
Vanderlyle Crybaby Geeks

Texto de: Mário Rui Vieira
Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos

'The Tree Of Life' vence Palma de Ouro






O filme The Tree Of Life (A Árvore da Vida) venceu a Palma de Ouro na edição deste ano do Festival de Cannes. aqui fica o palmarés completo:

PALMA DE OURO - A ARVORE DA VIDA, de Terrence Malick (EUA)


GRANDE PRÉMIO DO JURI (ex-aequo) - LE GAMIN AU VELO, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Belgica) e ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

REALIZAçÃO - Nicolas Winding Refn, por DRIVE (EUA)
ACTOR - Jean Dujardin em THE ARTIST, de Michel Hazanavicius (Franca)
ACTRIZ - Kirsten Dunst em MELANCHOLIA, de Lars von Trier (Dinamarca)
ARGUMENTO - Joseph Cedar, por FOOTNOTE, de Joseph Cedar (Israel)
PRÉMIO DO JURI - POLISSE, de Maiwenn (Franca)
PALMA DE OURO (curtas-metragens) - CROSS, de Maryna Vroda (Ucrania)
CÂMARA DE OURO (primeiras obras) - LAS ACACIAS, de Pablo Giorgelli (Argentina)





Publicada por Nuno Galopim em Domingo, Maio 22, 2011 em http://sound--vision.blogspot.com/

terça-feira, 24 de maio de 2011

Trust - Perigo online




Bem instalados e em segurança na sua casa dos subúrbios, Will e Lynn Cameron costumam dormir bem de noite, confiando que os seus filhos estão protegidos. Will, em particular, sente-se confortável com o facto de ele e Lynn terem criado três crianças brilhantes, e que depois das portas estarem fechadas e o alarme ligado nada – absolutamente nada – poderá fazer mal à sua família.

Quando a sua filha de 14 anos, Annie, faz um novo amigo online, um rapaz de 16 anos chamado Charlie, que conheceu num “chat room” de voleibol, Will e Lynn não pensam muito no assunto, falando apenas com a filha sobre essa amizade, assumindo no entanto ser normal entre adolescentes que comunicam pela Internet.

Mas depois de várias semanas de comunicação, Annie fica cada vez mais seduzida por Charlie, já não podendo passar sem ele. Aos poucos, descobre que ele não é quem diz ser. No entanto, continua completamente intrigada por ele, mesmo após o seu segredo ser revelado. Uma revelação devastadora, com implicações para toda a sua família, desencadeando uma série de acontecimentos que irão mudar as suas vidas, de uma forma que ninguém poderia prever.


Realizado por David Schwimmer, Trust – Perigo Online é interpretado pelos nomeados para Óscar® Clive Owen e Catherine Keener, pela estreante Liana Liberato e ainda por Noah Emmerich e pela nomeada para Óscar® Viola Davis. O filme foi escrito por Andy Bellin e Robert Festinger e produzido por by Tom Hodges, Ed Cathell III, Dana Golomb, David Schwimmer, Robert Greenhut e Heidi Jo Markel.





Ler mais: http://splitscreen-blog.blogspot.com/#ixzz1NHZw0EIX

Bob Dylan at 70: fans celebrate but interview tapes reveal a dark episode



Bob Dylan recording his first album at Columbia Studio, New York CityView larger picture
Bob Dylan recording his first album between November 1961 and March 1962 at Columbia Studio, New York City. Photograph: Frank Driggs Collection/Getty Images










From Moscow to Madrid, Norway to Northampton and Malaysia to his home state of Minnesota, self-confessed "Bobcats" will gather today to celebrate the 70th birthday of a giant of popular music. Bob Dylan will celebrate with tribute bands, original works, intellectual debates and simple singalongs to applaud a man born as Robert Allen Zimmerman in St Mary's hospital, Duluth on 24 May 1941.


In New York, the BB King Blues Club hosts tribute band Highway 61 Revisited, with guests including Rolling Thunder Revue violinist Scarlet Rivera and Never Ending Tour drummer Winston Watson, recreating Dylan's greatest hits.


In Hibbing, Minnesota, the town where he was raised, the annual Dylan Days festival at the weekend, with music, art and literature, will showcase the place that "spurred" the young Zimmerman. "With Bob Dylan turning 70 we are taking a year to honour not just his accomplishments but the creativity he continues to inspire," said Aaron Brown, Dylan Days spokesman.


At the University of Bristol, "The Seven Ages of Dylan" promises to bring forth "the UK's foremost Dylan scholars" to assess his continuing capacity to inspire and infuriate. "No one since Kipling has given the English language as many memorable phrases as Dylan," said Craig Savage, one organiser of the academic conference.


As fans prepare their celebrations, fresh details of Dylan's turbulent life at the height of his fame in the 1960s have emerged. Interviews found by the BBC reveal the singer had been addicted to heroin and contemplated suicide. Opening up to critic Robert Shelton on a private plane after a concert in March 1966 in Lincoln, Nebraska, Dylan said he kicked a heroin habit in New York. "I got very, very strung out for a while, I mean really, very strung out. And I kicked the habit. I had about a $25-a-day habit and I kicked it," he said.


Shelton first wrote about Dylan in 1961, publishing the definitive biography No Direction Home, The Life and Music of Bob Dylan, in 1986. The tapes of the previously unheard recordings were found during work on a new edition published for the singer's birthday.


The recordings show that weeks before his 25th birthday Dylan admitted experiencing "this suicidal thing". He said: "I'm not the kind of cat that's going to cut off an ear if I can't do something. I'm the kind of cat that would just commit suicide." He added: "I'd shoot myself in the brain if things got bad. I'd jump from a window … man, I would shoot myself. You know I can think about death, man, openly."


Dylan held no hope that his songwriting would "get me out of the fiery furnace", adding that it was "certainly not going to extend my life any and it's not going to make me happy." But parties around the globe on Tuesday will pay testimony to the happiness he has brought others.


John Butt, a former broadcaster, is hosting the only event listed in India, at his home in Delhi. "Bob Dylan has been a constant figure in my life since I heard The Times They Are a-Changin' in 1964, and the more I listen to his music, the more it means to me," he said.


Having put his living-room event on Google's map of celebrations around the world, there was a danger that half of Delhi could turn up. Butt was not worried. "If they do I'll welcome them in," he said. Dylan's message had particular resonance in India, he added. "Dylan was always able to express his spirituality in a profound but very idiosyncratic way and I think that is in line with the way India celebrates the diversity of its spirituality." In Norway, fans are holding a Bobfest with quasi-religious fervour. "Slow Train – the gospel according to Bob Dylan" is being held at the cathedral in Toensberg, 60 miles south of Oslo. Thousands of miles away at the Chatkhara restaurant in Lahore, Pakistan, "local Bobsessives" will come together to "share mixtapes and listen to Dylan".


In Tel Aviv, Israeli artists including Yuval Banai, Yali Sobol and Noam Rotem will play Dylan hits in English and Hebrew on Tuesday night at the Barby Club. Dylan plays the city in June, his first concert in Israel since 1993. Event organiser Dror Nahun said: "Most of the songwriters in Israel have been influenced by Dylan, he has a huge following. Dylan is celebrated wherever there are human beings, from China to America – he knows how to touch people all over the world."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

'A Laranja Mecânica': 40 anos depois

Este é do meu top 10!


Não revelou novo cinema, mas a evocação dos 40 anos de A Laraja Mecânica, de Stanley Kubrick, foi certamente um dos momentos altos da edição deste ano do Festival de Cannes. Uma cópia restaurada foi apresentada no festival, numamasterclass que contou com a presença do actor Malcolm McDowell, que há 40 anos vestiu a pele do protagonista do filme. Na ocasião McDowell recordou o filme e a construção da personagem, explicando que vestia um equipamento branco de jogar cricket quando se encontrou com Kubrick, desse facto decorrendo parte da construção visual da figura que depois levou ao grande ecrã.



Além da apresentação de uma cópia restaurada, em Cannes foi ainda exibido o documentário Once Upon a Time… Clockwork Orange, filme de Antoine de Gaudemar e Michel Ciment.

O documentário não integra contudo os conteúdos extrta de um lançamento em blu-ray que assinala, ainda este mês, os 40 anos da estreia do filme. Entre os extras desta edição conta-se os documentários Malcolm McDowell Looks Back (no qual o actor reflecte sobre a experiência que representou ter trabalhado com Kubrick), Still Tickin': The Return of Clockwork Orange, Great Bolshy Yarblockos!: Making A Clockwork Orange, Stanley Kubrick: A Life in Pictures (sobre o realizador, num filme narrado por Tom Cruise) e O Lucky Malcolm! Documentary (um outro filme sobre a carreira do actor). Entre os extras surge ainda uma reflexão sobre o impacte cultural do filme e das formas de representação de violência que então apresentou.




FONTE

domingo, 22 de maio de 2011

Cannes 2011: veja as diferencas



Qual e a coisa, qual e ela, que tem cabelo como Robert Smith, olhos pintados de negro como Robert Smith, baton vermelho como Robert Smith... mas nao e Robert Smith? A resposta e: Sean Penn. Como protagonista de This Must Be the Place, de Paolo Sorrentino, Penn parece refazer a imagem do vocalista de The Cure, mas em boa verdade o filme nao envolve qualquer referencia biografica. E mesmo uma ficcao total, centrada na figura de um ex-rocker, de nome Cheyenne, que tenta ajustar contas com os muitos fantasmas do passado, em particular com a memoria traumatica do seu pai — uma boa surpresa, em tom de drama interior, transfigurado pelos cenarios (irlandeses e americanos) e tambem pela vertigem da memoria. Nota importante: o titulo retoma o nome de uma cancao dos Talking Heads, tendo David Byrne uma dupla contribuicao — como autor da banda sonora original e numa breve participacao na personagem de... David Byrne.


sábado, 21 de maio de 2011

O Concerto


O CONCERTO

um filme de Radu Mihaileanu

com

Mélanie Laurent

Alexei Guskov

Dmitri Nazarov

Durante década de 70, nos anos de governação de Leonid Brejnev (1906-1982), Andrei Filipov (Aleksey Guskov) foi o grande maestro da União Soviética e dirigiu a famosa Orquestra do Teatro Bolshoi. Mas, depois de se recusar a deixar os seus músicos por questões raciais, foi demitido, assim como praticamente todos os músicos. Três décadas mais tarde, ele ainda trabalha no Teatro, mas como empregado de limpeza. Uma noite, durante as suas rotinas, Andrei encontra no fax um convite do director do Théâtre du Châtelet, para uma tournée em Paris e tem uma ideia perfeitamente louca: reunir os seus velhos músicos judeus e, representando a Orquestra do Teatro Bolshoi, levá-los à capital francesa. Assim surge a grande oportunidade de fazê-los regressar aos palcos e saborear a vingança.

Globos de Ouro 2011 - Nomeado para Melhor Filme Estrangeiro


Prémios César 2010 - Melhor Banda Sonora Original e Melhor Som, Nomeado para Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Argumento Original e Melhor Montagem


" 'O Concerto' traz o intrépido ressurgimento de uma orquestra esfacelada por um regime político. A música é um dos elementos que define e delimita os personagens num contexto de traumas contundentes. O resgate musical, no entanto, configura-se como um alento para estes músicos (e para o espectador), numa bela homenagem à música clássica. Bruno Mendes, Cinema na Rede

Título original: Le Concert


Ano: 2009


Realização: Radu Mihaileanu


Interpretação: Méla

nie Laurent, Alexei Guskov, Dmitri Nazarov

Origem: França

Duração: 119 min

Classificação: M/12

sexta-feira, 20 de maio de 2011

PINA, de WIM WENDERS




Os seus bailarinos varrem o palco como um furacão e no seu melhor documentário desde Buena Vista... ,Wim Wenders também foi tocado pelo sopro de Pina Bausch, numa semana cheia de "pina-acontecimentos"









Como na poesia, diz-se que cada poema é uma guerra. Nas coreografias de Pina Bausch travam-se batalhas em palco. Que não são necessariamente marciais ou disferidoras de munições. Mas cheias de energia bélica, confronto, raivas, angústias, muita perversidade e ironia. Outra vezes, apenas o lirismo em estado inteiro. Outras a alegria, também em estado inteiro. No documentário Pina (estreia-se hoje, dia 11), Wim Wenders recolhe o depoimento de um dos bailarinos da Tanztheater Wuppertal, que viu os seus músculos e movimentos moldados pela lendária Pina Bausch, ao longo de mais de 30 anos. Uma vez ela pediu-lhe para produzir o movimento que mais lhe sugerisse alegria pura. E era assim, perante o fumo pensativo do seu cigarro, por detrás da sua secretária de ensaio, com poucas palavras, e um olhar penetrante que Pina ia criando as mais espantosas coreografias. Com uma elegância espantosa, vinda de quem tem plena consciência de que está a filmar algo iconográfico, o filme apresenta excertos das famosas Sagração da Primavera, em que seres se agarram às barrigas e digladiam num placo coberto de terra barrenta, ou do Café Muller, quando as bailarinas cambaleiam de olhos fechados e os parceiros têm de derrubar as inúmeras cadeiras do seu caminho. E ainda todos aqueles movimentos rituais repetitivos tão bauschianos, cheios de cabelos e vestidos longos... Uma mulher que se convulsiona, e se encolhe como se tivesse um buraco na barriga, outra que se atira de cadeira e mergulha por entre os braços de um homem como um peixe, outra que oferece um vestido vermelho ao homem, num gesto sacrificial, à beira da cratera do vulcão. E por vezes são os movimentos incrivelmente simples, aqueles que emocionam mais.


Wim Wenders começou a rodagem pouco tempos após a morte imprevista de Pina, em 1999. O filme tornou-se necessariamente um tributo póstumo, mas tem pouquíssimo da mulher por detrás da obra, respeitando aquele olhar lacónico, discreto, de poucas palavras. Até aquelas dirigidas aos seus bailarinos de sempre eram escassas. Um deles imagina-a "como uma casa, com um grande sótão, cheio de coisas lá dentro". Palavras e emoções que ela traduzia em gestos, dança e música. E fica-se a pensar na quantidade de histórias, em toda a diegética, em quanta sintaxe pode conter um simples gesto.


Nesta casa imaginada pelo bailarino, Pina abriu janelas onde não havia sequer paredes. Daí, talvez, aquela corrente de ar que passava nas suas peças, às vezes monções (cheias de chuva e humidade), outras uma brisa romântica, outras uma ventania que logo amainava para se transformar a seguir num ciclone. O tão apregoado uso do 3D num documentário menos mainstream não é nenhuma cereja em cima do bolo nem nenhum artificialismo sensacionalista: é apenas um caso de eloquência. A sua câmara coloca-se no meio da tempestade, e sente-se o lado escultórico dos corpos, a profundidade e os vazios de uma representação teatral, a respiração dos bailarinos, os seus nervos a retesarem-se, o arrastar dos pés. E tudo flui - como uma aragem. Mesmo nos casos menos óbvios, quando Wenders transfere as coreografias dos bailarinos para cenários improváveis, como as ilhas de trânsito daquela cidade industrial, Wuppertal que Pina Bausch pôs no mapa, atravessada por um insólito monocarril. Ou numa piscina, ou em fábricas abandonadas. "Dancem, dancem, senão estão perdidos". E ficamos a pensar se teremos dançado o suficiente na vida. É isso que interessa. E o vento. Que dá também nos cabelos e nos vestidos das bailarinas. E aquela inquietação, inquietação. E isso é que é lindo. 



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Novo clip de "The Tree of Life", com Brad Pitt





Depois do primeiro clip de The Tree of Life, com Jessica Chastain a demonstrar qual o seu método educacional enquanto mãe, foi revelado um segundo clip do filme, desta vez com a perspectiva do pai, Brad Pitt.


The Tree of Life estreia já amanhã no Festival de Cannes. Em Portugal teremos de esperar até 26 de Maio

Cannes 2011: solidão humana com castor








Apresentado extra-competiçao, The Beaver, o novo filme de Jodie Foster, coloca em cena Mel Gibson a interpretar um homem profundamente deprimido que "adopta" um boneco (o castor do titulo) como uma espécie de alter-ego que o ajuda a domar a sua condiçao psicologica. Escusado sera dizer que os especulaçoes em torno de eventuais paralelismos entre os problemas pessoais de Gibson e a sua personagem sao um disparate. Mas importa acrescentar que nenhum modelo, psicologico ou narrativo, nos garante o acesso imediato aquilo que Foster filma. A saber: a extrema dificuldade — ou para usar a palavra que ela aplicou na conferencia de imprensa: a complexidade — de qualquer relaçao humana. Que é como quem diz: a necessidade de conhecimento das formas da nossa solidao.


Tem estreia portuguesa marcada para 9 de Junho e, para além de ser um dos momentos altos deste festival, sera também, por certo, um dos grandes acontecimentos do ano cinematografico. A composiçao de Mel Gibson? Um feito raro, tecido de entrega e inteligencia.



Publicada por João Lopes em sound +vision

Cannes 2011: o amor segundo Gus Van Sant




* Ele chama-se Enoch e tem o habito obsessivo de frequentar funerais...

* Ela, Annabel, diz que trabalha na unidade hospitalar para doentes de cancro, mas de facto e uma paciente a que os medicos dao poucos meses de vida.


* Ha ainda um piloto japones "kamikaze", que vem dos tempos da Segunda Guerra Mundial, fantasma e companhia que apenas Enoch ve e escuta (alem de nao conseguir vence-lo no jogo da "batalha naval").


* Ele e interpretado pelo subtil Henry Hopper, filho de Dennis Hopper (a quem o filme e dedicado); ela e Mia Wasikowska, a "Alice" de Tim Burton, sempre igual e sempre esplendorosamente diferente.

* Nao sera facil explicar, mas o novo filme de Gus Van Sant, Restless (abertura oficial da seccao "Un Certain Regard"), e de facto uma maravilhosa love story, livre e libertadora, cruel mas serena, alheia a qualquer demagogia artistica, longe do ruido mediatico dos tempos.


* Pormenor nao secundario: no generico de abertura ouve-se Two of Us (Beatles: Let It Be, 1970).

Publicada por João Lopes em sound+vision

quarta-feira, 18 de maio de 2011

The New Division


The New Division

Posted by Mike Mineo on 5/18/11 • Categorized as Features



Few artists can top the sheer moodiness of ’80s groups that teetered on the edge of post-punk and newly concocted electronic-pop. New Order and Depeche Mode are generally the most cited in this regard, and they are often the source of inspiration for revivalists of the movement today. These influences helped John Kunkel form the beginnings of The New Division out of his dorm room in 2005. “New Division” – the name an ode to New Order and its precursor Joy Division – shows the tremendous influence such groups had on his sound and others. The group turned into a four-piece by the end of 2006, and started playing throughout California to warm acclaim. The addition of Mark Michaslki actually gave The New Division two keyboardists, an edge that gave their live performances the type of depth that many electronic artists are unable to replicate on stage. Mirroring the key-driven emotional range of Brian Eno with an accessible rendering of ’80s inspired electro-pop, their music has grown increasingly fascinating as they build their reputation. With the arrival of their new album, The Rookie, this year, The New Division have transformed their captivating live performances into a release just as infectiously moody as New Order, Depeche Mode, or – more accurately – Orchestral Manoeuvres in the Dark. Both nostalgic fetishists and seekers of the new and worthy will find something of value on The Rookie.


“Nocturnal” plays with effervescent synth twinkles and a roaring guitar akin to contemporary post-punk acts like ¡Forward, Russia!, with an approach of decreased harshness. Judging by the quick guitar swipes and bustling synths in the beginning, listeners may anticipate a heavier electro-rock sound comparable to White Rose Movement or She Wants Revenge. When Kunkel’s relaxed vocals come into play alongside the swiftly synthesized variations, comparisons to more polished and mature electronic-rock acts like Cut Copy and Twin Shadow are apparent instead. The nod to groups like Depeche Mode and New Order are found particularly in the percussion, like the reverbed, hollow feeling of automated snares beginning at 02:45 being not too far from “Bizarre Love Triangle”. The addition of guitars is accomplished in a more sophisticated and revised sense though. “Starfield”, a track that was highly buzzed-about at the end of last year, is a lusher effort that showcases this well, along with the gratifying layers of synths. Their slow trickles help create an aquatic feel, the whirring of a synth-bass backing them continuously as a crisply sonorous guitar riff glides effortlessly along the plane. It’s anthemic, not terribly predictable, and a creatively rewarding yet true-to-heart tribute to acts like New Order, Depeche Mode, OMD, and Echo & the Bunnymen, all of which continue to influence swarms of independent artists. The New Division are one of the finer examples.


RIYL: New Order, Depeche Mode, Joy Division, Orchestral Manoeuvres in the Dark, Brian Eno, Cut Copy, Twin Shadow, Echo & the Bunnymen, ¡Forward Russia!, Electronic, Monaco, The Human League


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terça-feira, 17 de maio de 2011

Cannes 2011: Méliès com música dos Air





Foi em 1902 — passaram-se 109 anos desde que Georges Méliès realizou a sua maravilhosa Viagem à Lua, um dos filmes que mais e melhor pode simbolizar a vocação do cinema para desafiar as normas correntes de percepção/representação. Agora, em Maio de 2011, esta viagem realmente fantástica regressa como um dos acontecimentos maiores da 64ª edição do Festival de Cannes: graças ao mecenato daFundação Groupama Gan, Viagem à Lua passou na secção 'Cannes Classics' na sua versão "perdida", a cores. É o resultado de um labor imenso, executado pacientemente, envolvendo o restauro digital de nada mais nada menos que 13.375 fotogramas.
Com um pormenor delicioso, sintomático da coexistência feliz entre imagens do passado e sons do presente: a nova banda sonora tem assinatura dos Air. Méliès, podemos apostar, apreciaria a ousadia.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

BIUTIFUL




A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os mortos, até ao seu destino de herói trágico. "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes. 


Cannes 2010 - Prémio Melhor Actor (Javier Bardem)


Óscares 2011 - Nomeações para Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actor (Javier Bardem)


Globos de Ouro 2011 - Nomeado para Melhor Filme Estrangeiro





"Gonzalez Inarritu segue Uxbal (Bardem) com grande intimidade, enterrando a câmara na sórdida vida de rua que este vive e introduzindo diversas personagens como um alívio agudo e vivo. Concede às suas personagens a dignidade de ter sentimentos e motivos, não se comportando simplesmente como habitantes mecanizados de uma cena de um crime. (...) Bardem (...) consegue ser belo, feio, duro, terno ou um monstro (como em "Este País Não é Para Velhos"). Aqui ele sofre, e é bom, e, em parte, sofre por não conseguir praticar boas acções." 

domingo, 15 de maio de 2011

Alex Turner, Submarine




Alex Turner
“Submarine”
Domino Recordings
4 / 5
Alex Turner é já uma das figuras centrais do panorama pop/rock britânico deste início de século. Bastaria o trabalho que tem desenvolvido nos Arctic Monkeys para o justificar. Mas acrescentando a aventura Last Shadow Puppets o perfil alarga horizontes. Horizontes que continua a expandir ao editar, agora, este conjunto de canções que assinou e interpretou para o filme Submarine, de Richard Ayoade (realizador que assinou telediscos para os Arctic Monkeys). É uma pequena colecção de composições, essencialmente talhadas para instrumentos acústicos, desenhadas a tons de melancolia e, tal como se escutava no álbum dos Last Shadow Puppets, herdeiras de ecos da cultura pop/rock britânica dos sessentas e setentas. A voz de Alex Turner encontra uma vez mais cenário perfeito nestas canções, os arranjos discretos e a placidez que cruza as composições definindo um clima coerente que, independentemente do destino no grande ecrã para o qual foram talhadas, lhes garante, em disco, um corpo uno e sólido. Pode ser verdade que foram (e são) os Arctic Monkeys que dão a Alex Turner o lugar que hoje tem no panorama pop/rock global. Mas uma vez mais é num projecto paralelo que nos dá o melhor de si.