segunda-feira, 23 de maio de 2011

'A Laranja Mecânica': 40 anos depois

Este é do meu top 10!


Não revelou novo cinema, mas a evocação dos 40 anos de A Laraja Mecânica, de Stanley Kubrick, foi certamente um dos momentos altos da edição deste ano do Festival de Cannes. Uma cópia restaurada foi apresentada no festival, numamasterclass que contou com a presença do actor Malcolm McDowell, que há 40 anos vestiu a pele do protagonista do filme. Na ocasião McDowell recordou o filme e a construção da personagem, explicando que vestia um equipamento branco de jogar cricket quando se encontrou com Kubrick, desse facto decorrendo parte da construção visual da figura que depois levou ao grande ecrã.



Além da apresentação de uma cópia restaurada, em Cannes foi ainda exibido o documentário Once Upon a Time… Clockwork Orange, filme de Antoine de Gaudemar e Michel Ciment.

O documentário não integra contudo os conteúdos extrta de um lançamento em blu-ray que assinala, ainda este mês, os 40 anos da estreia do filme. Entre os extras desta edição conta-se os documentários Malcolm McDowell Looks Back (no qual o actor reflecte sobre a experiência que representou ter trabalhado com Kubrick), Still Tickin': The Return of Clockwork Orange, Great Bolshy Yarblockos!: Making A Clockwork Orange, Stanley Kubrick: A Life in Pictures (sobre o realizador, num filme narrado por Tom Cruise) e O Lucky Malcolm! Documentary (um outro filme sobre a carreira do actor). Entre os extras surge ainda uma reflexão sobre o impacte cultural do filme e das formas de representação de violência que então apresentou.




FONTE

domingo, 22 de maio de 2011

Cannes 2011: veja as diferencas



Qual e a coisa, qual e ela, que tem cabelo como Robert Smith, olhos pintados de negro como Robert Smith, baton vermelho como Robert Smith... mas nao e Robert Smith? A resposta e: Sean Penn. Como protagonista de This Must Be the Place, de Paolo Sorrentino, Penn parece refazer a imagem do vocalista de The Cure, mas em boa verdade o filme nao envolve qualquer referencia biografica. E mesmo uma ficcao total, centrada na figura de um ex-rocker, de nome Cheyenne, que tenta ajustar contas com os muitos fantasmas do passado, em particular com a memoria traumatica do seu pai — uma boa surpresa, em tom de drama interior, transfigurado pelos cenarios (irlandeses e americanos) e tambem pela vertigem da memoria. Nota importante: o titulo retoma o nome de uma cancao dos Talking Heads, tendo David Byrne uma dupla contribuicao — como autor da banda sonora original e numa breve participacao na personagem de... David Byrne.


sábado, 21 de maio de 2011

O Concerto


O CONCERTO

um filme de Radu Mihaileanu

com

Mélanie Laurent

Alexei Guskov

Dmitri Nazarov

Durante década de 70, nos anos de governação de Leonid Brejnev (1906-1982), Andrei Filipov (Aleksey Guskov) foi o grande maestro da União Soviética e dirigiu a famosa Orquestra do Teatro Bolshoi. Mas, depois de se recusar a deixar os seus músicos por questões raciais, foi demitido, assim como praticamente todos os músicos. Três décadas mais tarde, ele ainda trabalha no Teatro, mas como empregado de limpeza. Uma noite, durante as suas rotinas, Andrei encontra no fax um convite do director do Théâtre du Châtelet, para uma tournée em Paris e tem uma ideia perfeitamente louca: reunir os seus velhos músicos judeus e, representando a Orquestra do Teatro Bolshoi, levá-los à capital francesa. Assim surge a grande oportunidade de fazê-los regressar aos palcos e saborear a vingança.

Globos de Ouro 2011 - Nomeado para Melhor Filme Estrangeiro


Prémios César 2010 - Melhor Banda Sonora Original e Melhor Som, Nomeado para Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Argumento Original e Melhor Montagem


" 'O Concerto' traz o intrépido ressurgimento de uma orquestra esfacelada por um regime político. A música é um dos elementos que define e delimita os personagens num contexto de traumas contundentes. O resgate musical, no entanto, configura-se como um alento para estes músicos (e para o espectador), numa bela homenagem à música clássica. Bruno Mendes, Cinema na Rede

Título original: Le Concert


Ano: 2009


Realização: Radu Mihaileanu


Interpretação: Méla

nie Laurent, Alexei Guskov, Dmitri Nazarov

Origem: França

Duração: 119 min

Classificação: M/12

sexta-feira, 20 de maio de 2011

PINA, de WIM WENDERS




Os seus bailarinos varrem o palco como um furacão e no seu melhor documentário desde Buena Vista... ,Wim Wenders também foi tocado pelo sopro de Pina Bausch, numa semana cheia de "pina-acontecimentos"









Como na poesia, diz-se que cada poema é uma guerra. Nas coreografias de Pina Bausch travam-se batalhas em palco. Que não são necessariamente marciais ou disferidoras de munições. Mas cheias de energia bélica, confronto, raivas, angústias, muita perversidade e ironia. Outra vezes, apenas o lirismo em estado inteiro. Outras a alegria, também em estado inteiro. No documentário Pina (estreia-se hoje, dia 11), Wim Wenders recolhe o depoimento de um dos bailarinos da Tanztheater Wuppertal, que viu os seus músculos e movimentos moldados pela lendária Pina Bausch, ao longo de mais de 30 anos. Uma vez ela pediu-lhe para produzir o movimento que mais lhe sugerisse alegria pura. E era assim, perante o fumo pensativo do seu cigarro, por detrás da sua secretária de ensaio, com poucas palavras, e um olhar penetrante que Pina ia criando as mais espantosas coreografias. Com uma elegância espantosa, vinda de quem tem plena consciência de que está a filmar algo iconográfico, o filme apresenta excertos das famosas Sagração da Primavera, em que seres se agarram às barrigas e digladiam num placo coberto de terra barrenta, ou do Café Muller, quando as bailarinas cambaleiam de olhos fechados e os parceiros têm de derrubar as inúmeras cadeiras do seu caminho. E ainda todos aqueles movimentos rituais repetitivos tão bauschianos, cheios de cabelos e vestidos longos... Uma mulher que se convulsiona, e se encolhe como se tivesse um buraco na barriga, outra que se atira de cadeira e mergulha por entre os braços de um homem como um peixe, outra que oferece um vestido vermelho ao homem, num gesto sacrificial, à beira da cratera do vulcão. E por vezes são os movimentos incrivelmente simples, aqueles que emocionam mais.


Wim Wenders começou a rodagem pouco tempos após a morte imprevista de Pina, em 1999. O filme tornou-se necessariamente um tributo póstumo, mas tem pouquíssimo da mulher por detrás da obra, respeitando aquele olhar lacónico, discreto, de poucas palavras. Até aquelas dirigidas aos seus bailarinos de sempre eram escassas. Um deles imagina-a "como uma casa, com um grande sótão, cheio de coisas lá dentro". Palavras e emoções que ela traduzia em gestos, dança e música. E fica-se a pensar na quantidade de histórias, em toda a diegética, em quanta sintaxe pode conter um simples gesto.


Nesta casa imaginada pelo bailarino, Pina abriu janelas onde não havia sequer paredes. Daí, talvez, aquela corrente de ar que passava nas suas peças, às vezes monções (cheias de chuva e humidade), outras uma brisa romântica, outras uma ventania que logo amainava para se transformar a seguir num ciclone. O tão apregoado uso do 3D num documentário menos mainstream não é nenhuma cereja em cima do bolo nem nenhum artificialismo sensacionalista: é apenas um caso de eloquência. A sua câmara coloca-se no meio da tempestade, e sente-se o lado escultórico dos corpos, a profundidade e os vazios de uma representação teatral, a respiração dos bailarinos, os seus nervos a retesarem-se, o arrastar dos pés. E tudo flui - como uma aragem. Mesmo nos casos menos óbvios, quando Wenders transfere as coreografias dos bailarinos para cenários improváveis, como as ilhas de trânsito daquela cidade industrial, Wuppertal que Pina Bausch pôs no mapa, atravessada por um insólito monocarril. Ou numa piscina, ou em fábricas abandonadas. "Dancem, dancem, senão estão perdidos". E ficamos a pensar se teremos dançado o suficiente na vida. É isso que interessa. E o vento. Que dá também nos cabelos e nos vestidos das bailarinas. E aquela inquietação, inquietação. E isso é que é lindo. 



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Novo clip de "The Tree of Life", com Brad Pitt





Depois do primeiro clip de The Tree of Life, com Jessica Chastain a demonstrar qual o seu método educacional enquanto mãe, foi revelado um segundo clip do filme, desta vez com a perspectiva do pai, Brad Pitt.


The Tree of Life estreia já amanhã no Festival de Cannes. Em Portugal teremos de esperar até 26 de Maio

Cannes 2011: solidão humana com castor








Apresentado extra-competiçao, The Beaver, o novo filme de Jodie Foster, coloca em cena Mel Gibson a interpretar um homem profundamente deprimido que "adopta" um boneco (o castor do titulo) como uma espécie de alter-ego que o ajuda a domar a sua condiçao psicologica. Escusado sera dizer que os especulaçoes em torno de eventuais paralelismos entre os problemas pessoais de Gibson e a sua personagem sao um disparate. Mas importa acrescentar que nenhum modelo, psicologico ou narrativo, nos garante o acesso imediato aquilo que Foster filma. A saber: a extrema dificuldade — ou para usar a palavra que ela aplicou na conferencia de imprensa: a complexidade — de qualquer relaçao humana. Que é como quem diz: a necessidade de conhecimento das formas da nossa solidao.


Tem estreia portuguesa marcada para 9 de Junho e, para além de ser um dos momentos altos deste festival, sera também, por certo, um dos grandes acontecimentos do ano cinematografico. A composiçao de Mel Gibson? Um feito raro, tecido de entrega e inteligencia.



Publicada por João Lopes em sound +vision

Cannes 2011: o amor segundo Gus Van Sant




* Ele chama-se Enoch e tem o habito obsessivo de frequentar funerais...

* Ela, Annabel, diz que trabalha na unidade hospitalar para doentes de cancro, mas de facto e uma paciente a que os medicos dao poucos meses de vida.


* Ha ainda um piloto japones "kamikaze", que vem dos tempos da Segunda Guerra Mundial, fantasma e companhia que apenas Enoch ve e escuta (alem de nao conseguir vence-lo no jogo da "batalha naval").


* Ele e interpretado pelo subtil Henry Hopper, filho de Dennis Hopper (a quem o filme e dedicado); ela e Mia Wasikowska, a "Alice" de Tim Burton, sempre igual e sempre esplendorosamente diferente.

* Nao sera facil explicar, mas o novo filme de Gus Van Sant, Restless (abertura oficial da seccao "Un Certain Regard"), e de facto uma maravilhosa love story, livre e libertadora, cruel mas serena, alheia a qualquer demagogia artistica, longe do ruido mediatico dos tempos.


* Pormenor nao secundario: no generico de abertura ouve-se Two of Us (Beatles: Let It Be, 1970).

Publicada por João Lopes em sound+vision

quarta-feira, 18 de maio de 2011

The New Division


The New Division

Posted by Mike Mineo on 5/18/11 • Categorized as Features



Few artists can top the sheer moodiness of ’80s groups that teetered on the edge of post-punk and newly concocted electronic-pop. New Order and Depeche Mode are generally the most cited in this regard, and they are often the source of inspiration for revivalists of the movement today. These influences helped John Kunkel form the beginnings of The New Division out of his dorm room in 2005. “New Division” – the name an ode to New Order and its precursor Joy Division – shows the tremendous influence such groups had on his sound and others. The group turned into a four-piece by the end of 2006, and started playing throughout California to warm acclaim. The addition of Mark Michaslki actually gave The New Division two keyboardists, an edge that gave their live performances the type of depth that many electronic artists are unable to replicate on stage. Mirroring the key-driven emotional range of Brian Eno with an accessible rendering of ’80s inspired electro-pop, their music has grown increasingly fascinating as they build their reputation. With the arrival of their new album, The Rookie, this year, The New Division have transformed their captivating live performances into a release just as infectiously moody as New Order, Depeche Mode, or – more accurately – Orchestral Manoeuvres in the Dark. Both nostalgic fetishists and seekers of the new and worthy will find something of value on The Rookie.


“Nocturnal” plays with effervescent synth twinkles and a roaring guitar akin to contemporary post-punk acts like ¡Forward, Russia!, with an approach of decreased harshness. Judging by the quick guitar swipes and bustling synths in the beginning, listeners may anticipate a heavier electro-rock sound comparable to White Rose Movement or She Wants Revenge. When Kunkel’s relaxed vocals come into play alongside the swiftly synthesized variations, comparisons to more polished and mature electronic-rock acts like Cut Copy and Twin Shadow are apparent instead. The nod to groups like Depeche Mode and New Order are found particularly in the percussion, like the reverbed, hollow feeling of automated snares beginning at 02:45 being not too far from “Bizarre Love Triangle”. The addition of guitars is accomplished in a more sophisticated and revised sense though. “Starfield”, a track that was highly buzzed-about at the end of last year, is a lusher effort that showcases this well, along with the gratifying layers of synths. Their slow trickles help create an aquatic feel, the whirring of a synth-bass backing them continuously as a crisply sonorous guitar riff glides effortlessly along the plane. It’s anthemic, not terribly predictable, and a creatively rewarding yet true-to-heart tribute to acts like New Order, Depeche Mode, OMD, and Echo & the Bunnymen, all of which continue to influence swarms of independent artists. The New Division are one of the finer examples.


RIYL: New Order, Depeche Mode, Joy Division, Orchestral Manoeuvres in the Dark, Brian Eno, Cut Copy, Twin Shadow, Echo & the Bunnymen, ¡Forward Russia!, Electronic, Monaco, The Human League


TIP: Download The Rookie on GroopEase for a discounted rate.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cannes 2011: Méliès com música dos Air





Foi em 1902 — passaram-se 109 anos desde que Georges Méliès realizou a sua maravilhosa Viagem à Lua, um dos filmes que mais e melhor pode simbolizar a vocação do cinema para desafiar as normas correntes de percepção/representação. Agora, em Maio de 2011, esta viagem realmente fantástica regressa como um dos acontecimentos maiores da 64ª edição do Festival de Cannes: graças ao mecenato daFundação Groupama Gan, Viagem à Lua passou na secção 'Cannes Classics' na sua versão "perdida", a cores. É o resultado de um labor imenso, executado pacientemente, envolvendo o restauro digital de nada mais nada menos que 13.375 fotogramas.
Com um pormenor delicioso, sintomático da coexistência feliz entre imagens do passado e sons do presente: a nova banda sonora tem assinatura dos Air. Méliès, podemos apostar, apreciaria a ousadia.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

BIUTIFUL




A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os mortos, até ao seu destino de herói trágico. "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes. 


Cannes 2010 - Prémio Melhor Actor (Javier Bardem)


Óscares 2011 - Nomeações para Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actor (Javier Bardem)


Globos de Ouro 2011 - Nomeado para Melhor Filme Estrangeiro





"Gonzalez Inarritu segue Uxbal (Bardem) com grande intimidade, enterrando a câmara na sórdida vida de rua que este vive e introduzindo diversas personagens como um alívio agudo e vivo. Concede às suas personagens a dignidade de ter sentimentos e motivos, não se comportando simplesmente como habitantes mecanizados de uma cena de um crime. (...) Bardem (...) consegue ser belo, feio, duro, terno ou um monstro (como em "Este País Não é Para Velhos"). Aqui ele sofre, e é bom, e, em parte, sofre por não conseguir praticar boas acções." 

domingo, 15 de maio de 2011

Alex Turner, Submarine




Alex Turner
“Submarine”
Domino Recordings
4 / 5
Alex Turner é já uma das figuras centrais do panorama pop/rock britânico deste início de século. Bastaria o trabalho que tem desenvolvido nos Arctic Monkeys para o justificar. Mas acrescentando a aventura Last Shadow Puppets o perfil alarga horizontes. Horizontes que continua a expandir ao editar, agora, este conjunto de canções que assinou e interpretou para o filme Submarine, de Richard Ayoade (realizador que assinou telediscos para os Arctic Monkeys). É uma pequena colecção de composições, essencialmente talhadas para instrumentos acústicos, desenhadas a tons de melancolia e, tal como se escutava no álbum dos Last Shadow Puppets, herdeiras de ecos da cultura pop/rock britânica dos sessentas e setentas. A voz de Alex Turner encontra uma vez mais cenário perfeito nestas canções, os arranjos discretos e a placidez que cruza as composições definindo um clima coerente que, independentemente do destino no grande ecrã para o qual foram talhadas, lhes garante, em disco, um corpo uno e sólido. Pode ser verdade que foram (e são) os Arctic Monkeys que dão a Alex Turner o lugar que hoje tem no panorama pop/rock global. Mas uma vez mais é num projecto paralelo que nos dá o melhor de si.




sábado, 14 de maio de 2011

A caminho de 'Tree Of Life'




Em contagem decrescente para a chegada de The Tree Of Life, o novo filme de Terrence Malick, fica hoje uma imagem que recorda Days Of Heaven, a segunda longa-metragem do realizador, estreada em 1978. O blogue O Sétimo Continente continua a evocar a obra do realizador, apresentando hoje um texto sobre este filme assinado pelo autor do blogue A Preto e Branco.
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Dolores Fuller (1923 - 2011)










Célebre pelas suas colaborações com o realizador Ed Wood, a actriz Dolores Fuller faleceu no dia 9 de Maio, em Las Vegas — contava 88 anos.
De seu nome verdadeiro Dolores Eble, participou em títulos como It Happened One Night/Uma Noite Aconteceu (1934), de Frank Capra, e The Blue Gardenia/A Gardénia Azul (1953), de Fritz Lang, mas sempre em papéis muito secundários. A sua fama lendária, eminentemente kitsch, nasce da participação em filmes de Ed Wood, "o pior cineasta de sempre", autor do célebre Glen or Glenda (1953), sobre um homem que se transfigura em mulher — na altura namorada de Wood, Dolores Fuller assume a personagem da companheira do protagonista, interpretado pelo próprio realizador. Sob a sua direcção, participou ainda em Jail Bait (1954) e Bride of the Monster (1955).
Com uma carreira televisiva especialmente ligada à música, tentou, sem êxito, obter um papel num filme, Blue Hawaii (1961), com Elvis Presley. Acabaria por compor uma das respectivas canções, Rock-A-Hula Baby [ver video]. Seria o começo de uma colaboração que se traduziu na gravação, por Elvis, de uma dúzia das suas canções, incluindo I Got Lucky — entre os que, na época, gravaram canções de Fuller incluem-se Nat King Cole e Peggy Lee. No ano de 2008, publicara a sua autobiografia: A Fuller Life: Hollywood, Ed Wood and Me.



>>> Obituário no Los Angeles Times.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Google lança serviço de música digital

A Google acabou de lançar um novo serviço de música digital, o Music Beta. Este serviço, apresentado durante o evento anual "Google I/O", permite que cada utilizador faça o upload das suas próprias faixas de áudio para um servidor e as tenha acessível em qualquer lugar.

No entanto, e para já, o serviço apenas estará disponível nos Estados Unidos da América, como é possível ver ao aceder ao website oficial. Apenas acessível por convite, ao clicar no botão para proceder ao pedido de adesão, o utilizador que não se encontre nos EUA recebe a mensagem de que a versão beta desta plataforma apenas está "disponível nos Estados Unidos". 

Muitos já o comparam ao leitor recentemente lançado pela Amazon, mas ainda é cedo para conjecturar. O certo é que, para já, o serviço também não conta com a colaboração das grandes editoras musicais mundiais, tudo indica por conflitos de interesse. Em declarações ao New York Times, o director de conteúdo digital para Android chegou mesmo a dizer que "algumas das grandes editoras discográficas não colaboraram muito" e "solicitaram uma lista de termos de negócio que eram insensatas e que não nos permitiria construir um produto sustentável". Por isso mesmo, a Google não vai "depender de alianças que se provaram frágeis". 

Posto isto, o que é possível fazer, afinal, com este Music Beta? Fazer upload de músicas para um servidor, que depois poderão ser ouvidas em qualquer computador com acesso à Internet, em telemóveis Android e em tablets através de streaming. O limite de upload gratuito será, diz-se, de vinte mil músicas. De fora ficam, por exemplo, opções de compra directa de músicas ou, por exemplo, a partilha de canções com amigos.

Para saber mais sobre o Music Beta da Google, pode sempre consultar as dicas contidas no próprio site. No entanto, ainda não há data para o lançamento do produto a nível internacional.

O Sr. Presidente é o D'niro




Talvez não seja a pose mais correcta para o presidente do júri oficial do maior festival de cinema do mundo... Em todo o caso, assim é: a partir de amanhã, 11 de Maio, Robert De Niro terá por funções dirigir um colectivo que se encarregará, no dia 22, de consagrar um filme com a Palma de Ouro do 64º Festival de Cinema de Cannes.


Esta foto tem 35 anos e adquire, agora, uma renovada energia simbólica: De Niro protagonizava um dos momentos altos da modernidade made in USA — Taxi Driver, de Martin Scorsese. O filme esteve presente em Cannes/1976 e arrebatou a Palma de Ouro!


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terça-feira, 10 de maio de 2011

Tokio




Uma cidade, três realizadores, três histórias, três visões do mundo. Tóquio visto pelos olhos de Michel Gondry ("O Despertar da Mente", "A Ciência dos Sonhos", "Green Hornet"), Léos Carax ("Pola X", "Os Amantes da Ponte Nova") e Bong Joon-ho ("Gwoemul", "Mother - Uma Força Única"). Os recantos menos conhecidos daquela cidade e as suas personagens inverosímeis: um jovem e estranho casal a viver as suas amarguras, um homem dos esgotos que se vê numa situação imprevista, um homem isolado que, por força do amor, se obriga a sair da reclusão. Três exemplos que propõem a reflexão: seremos moldados pela cidade ou seremos nós quem molda a cidade onde vivemos?


Selecção Oficial Cannes 2008 - Un Certain Regard


"Existindo uma ideia unificadora em Tóquio!, é o efeito devastador que a solisão e o isolamento têm na psique, uma escolha interessante considerando o estatuto de Tóquio como uma das cidades mais densas do mundo. " Sonny Bunch,


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Hippie Hippie Shake


Hippie Hippie Shake is an upcoming British drama film produced by Working Title Films. The film is based on a memoir by Richard Neville, editor of the Australian satirical magazine Oz, and chronicles his relationship with girlfriend Louise Ferrier, the launch of the London edition ofOz amidst the 1960s counterculture, and the staff's trial for distributing a sexually explicit issue. Hippie Hippie Shake stars Cillian Murphy as Richard Neville, with Sienna Miller as Louise.

British film production company Working Title began development of Hippie Hippie Shake in 1998, but the film was repeatedly delayed, changing directors and screenwriters. In September 2007, the film finally began principal photography. As of June 2010, the film is "yet-to-be released."





The landmark obscenity trial surrounding a satirical Australian magazine becomes a metaphor for a wild ride through swinging 1960s-era London in director Beeban Kidron's adaptation of Richard Neville's memoir Hippie Hippie Shake: The Dreams, the Trips, the Trials, the Love-ins, the Screw Ups: The Sixties. Cillian Murphy stars as Neville in a film that follows the editors of Oz as they relocate to London and are forced to defend a sexually explicit issue of their irreverent magazine after it raises the eyebrows of the Obscene Publications Squad. The resulting legal battle would become the longest obscenity trial in the history of English law. Though the publishers of Oz were initially sentenced to hard labor, a subsequent appeal would find their sentences commuted under the agreement that they cease publication of the controversial magazine. ~ Jason Buchanan, All Movie Guide

domingo, 8 de maio de 2011

Lego again...


São várias as expressões de admiração da cultura pela imponência e história do Empire State Building. Hoje visitamos uma proposta de construção deste símbolo de Nova Iorque... em Lego.

Lennon no Indie





Destaques para mais um dia no Indie Lisboa, hoje com a música em evidência. Pelas 19.15 passa no S. Jorge o filme John Lennon – Love Is All You Need, de Alan Bryon e, às 21.45, Neil Young Trunk Show, o segundo filme-concerto do músico rodado por Jonathan Demme. Num outro comprimento de onda, e também no Cinema São Jorge, pelas 14.45 passa Finisterrae, de Sergio Caballero, um dos directores do festival Sonar, e que já foi descrito como um “ovni cinematográfico”.

fonte:sound+vision

sábado, 7 de maio de 2011

Os National adoram os Grateful Dead e vão prová-lo

Os Grateful Dead vão ressuscitar num álbum com versões de Bon Iver; Fleet Foxes; Steve Reich...
Os National adoram os Grateful Dead e vão prová-lo
Trabalham numa compilação dedicada a uma banda fulcral do psicadelismo
Senhoras e senhores, meninos e meninas, os National estão a preparar um regresso em grande - e não, não se trata de um álbum novo. Gente solidária, responsável há um par de anos por "Dark Was The Night", compilação produzida pelos gémeos Aaron e Bryce Dessner (baixista e guitarrista da banda) que contou com a colaboração de Feist, Decemberists, Arcade Fire ou Spoon e cujos lucros reverteram para associações de luta contra a sida, os National reincidem.
Desta vez, não se trata apenas de juntar uma série de amigos de bom gosto impoluto e chamá-los a oferecer os seus talentos à beneficência. Os National estão a tratar, novamente em conjunto com a associação Red Hot, de uma compilação, preparem-se, dedicada exclusivamente aos Grateful Dead, banda fulcral do psicadelismo de São Francisco, banda fulcral, depois disso, no renascimento da música de raízes norte-americana mas, causa directa do seu péssimo posicionamento na escala de "coolness" da música popular, também responsável pelo nascimento de uma seita de freaks e hippies reunida sob a designação "Deadheads", bem como pela fundação de centenas de aborrecidíssimas bandas de jam como os conhecidos Phish.
O baixista Scott Devendorf confirmou à "Spinner" que o trabalho está a começar e que, neste momento, a grande questão que se coloca aos National é escolher correctamente a canção dos Dead em que pegar - tendo em conta o tom de voz de Matt Berninger, Devendorf diz que estão a apontar para "Box of rain", canção de "American Beauty" que marca o início da viragem dos Dead para a folk e country. 
O álbum só estará pronto daqui a cerca de um ano, mas os National já sabem o que querem. Nada de bandas de jam tricotando solos intermináveis. Depois de inquiridos alguns amigos para descobrir se têm discos dos Grateful Dead escondidos em casa, já há algumas confirmações: os Fleet Foxes estão entusiasmados, Bon Iver também. O compositor Steve Reich, amigo de Phil Lesh, baixista dos autores de "Box of rain", também já foi "intimado" a participar. E Devendorf pretende atrair bandas inesperadas: "Seria incrível ter os Crystal Castles", exclamou à "Spinner".