domingo, 14 de março de 2010

Kathryn Bigelow - parte II


Kathryn Bigelow fez história como a primeira mulher a receber o Oscar de melhor realização. Em todo o caso, o valor simbólico do seu triunfo talvez não possa ser separado de algo menos referido mas, sem dúvida, mais radical. A saber: a sua capacidade de abordar uma temática — o teatro da guerra — que, por tradição (masculina), tem sido um quase exclusivo dos homens cineastas.Aqui fica a contabilidade dos 24 prémios da Academia de Hollywood, título a título:*


ESTADO DE GUERRA [6]— filme— realização— argumento original— montagem— montagem de som— mistura de som*

AVATAR [3]— direcção artística— fotografia— efeitos visuais*

CRAZY HEART [2]— actor (Jeff Bridges)— canção*

PRECIOUS— actriz secundária (Mo'Nique)— argumento adaptado*

UP/ALTAMENTE— filme de animação— música*

A BAÍA DA VERGONHA [1]— documentário, longa-metragem*

THE BLIND SIDE— actriz (Sandra Bullock)*

A JOVEM VITÓRIA— Guarda-roupa*

LOGORAMA— curta-metragem, animação*

MUSIC BY PRUDENCE— documentário, curta-metragem*

THE NEW TENANTS— curta-metragem, acção real*

SACANAS SEM LEI— actor secundário (Christoph Waltz)*

EL SECRETO DE SUS OJOS (Argentina)— filme estrangeiro*

STAR TREK— caracterização

sábado, 13 de março de 2010

A voz dos actores

Foi há quase quarenta anos que, graças ao belíssimo A Última Sessão/The Last Picture Show (1971), dirigido por Peter Bogdanovich, Jeff Bridges obteve a sua primeira nomeação para os Oscars (na categoria de melhor actor secundário). Que agora consiga, finalmente, uma estatueta [foto] com Crazy Heart, eis o que diz bem das componentes afectivas que estas coisas podem envolver: com maiores ou menores contradições, os Oscars são também a expressão de uma comunidade tecida por muitas ligações e cumplicidades. Bridges, independentemente dos méritos do seu trabalho — num filme que, segundo informação veiculada recentemente, poderá, no mercado português, ter lançamento directo em DVD —, emergiu também como uma escolha resultante dessa teia de afectos.Em boa verdade, Bridges foi um dos símbolos de uma cerimónia que, desde a intervenção inicial de Steve Martin e Alec Baldwin, fez questão em celebrar as singularidades dos actores. A certa altura, o ecrã foi mesmo invadido por algumas entidades digitais provenientes do planeta Pandora, de Avatar, e Martin anulou-as com spray... Não que se trate de demonizar a tecnologia, seja ela qual for (e só quem se satisfaz com manqueísmos poderá julgar que Estado de Guerra é outra coisa que não um objecto de enorme sofisticação tecnológica). Acontece que não é possível conceber o comércio e a indústria dos filmes sem os rostos, os corpos e as auras dos actores.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Bang Goes The Knighthood - The Divine Comedy



Gosto de dar destas notícias. Ou não fossem os Divine Comedy uma das "minhas bandas".

Vão lançar a 31 de Maio o novo álbum Bang Goes The Knighthood.

Entretanto podem ir ouvindo
o último álbum de Neil Hannon que foi lançado nos meados no ano transacto. Alías duckworth-lewis-method aconselho vivamente pois é tão rico como um dia de Primavera. Isto foi poeticamente deprimente. Enfim, venha o novo álbum que eu já o tenho encomendado.

Os Globos de Ouro anunciaram



Este ano, o Globo de Ouro de melhor filme (drama) da Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood foi atribuído a Avatar. Na noite de ontem, na 82ª edição dos Oscars, a Academia de Hollywood consagrou Estado de Guerra como melhor filme do ano. Quer isto dizer que, nos últimos dez anos, esta é a sétima vez que tais prémios não coincidem.
Porquê, então, todos os anos continuamos a ouvir, como uma espécie de axioma indesmentível, que os Globos "antecipam" os Oscars? Na prática, tal discurso significa duas coisas: primeiro, a sobrevalorização fácil de uma associação de imprensa cuja representatividade nada tem a ver com a Academia, além de pertencer a outro domínio da intervenção pública; segundo, o continuado triunfo de um jornalismo (?) que confunde informação com a alegria de repetir clichés.

http://sound--vision.blogspot.com/

quinta-feira, 11 de março de 2010

Vocalista dos Fleet Foxes abre espectáculos de Joanna Newsom

A cantora Joanna Newsom lançou em janeiro, o disco triplo "Have One on Me". No começo de Março, ela fará algumas apresentações pelo Canadá e, logo de seguida, segue para os Estados Unidos para divulgar o novo trabalho.
O responsável pela abertura de seis apresentações, confirmadas pelo site Pitchforkmedia, será Robin Pecknold, vocalista do Fleet Foxes. A série começa em Nashville, no dia 28 de Março, e encerra no dia 3 de Abril, em Chicago

quarta-feira, 10 de março de 2010

Belle & Sebastian


Os escoceses Belle & Sebastian voltam a dar sinais de vida ao anunciarem na sua mailing list a gravação de um novo álbum de originais num estúdio de Los Angeles, brevemente.
A banda liderada por Stuart Murdoch tem estado a compor novas canções na sua cidade-Natal, Glasgow.

O regresso ao activo dos Belle and Sebastian inclui também uma agenda ao vivo que, para já, tem só três compromissos no próximo Verão (dois nos países nórdicos da Europa e um no Japão).
A formação britânica vive o seu maior hiato de álbuns de inéditos de sempre, interregno para o qual tem contribuído o envolvimento de Stuart Murdoch no projecto God Help the Girl. O último longo de originais dos Belle & Sebastian, "The Life Pursuit", foi editado em 2006.



A personalidade idílica das músicas da banda escocesa tem alimentado um interessante culto indie que tem sobrevivido desde os anos 90, quando apareceram perante o mundo.

Band of Skulls ?

Band of Skulls is a British alternative rock band that formed in 2008 in Southampton, England. It consists of Russell Marsden (guitar, vocals), Emma Richardson (bass, vocals), and Matt Hayward (drums), who formed a band after they all met in college. Initially, they played at night clubs in the greater London area and recorded some demos under the name of Fleeing New York before changing their name to Band of Skulls in November 2008. Their debut album Baby Darling Doll Face Honey, distributed by Shangri-La Music, was released exclusively on the iTunes Store on March 6, 2009, followed by a general release on March 20. The track "I Know What I Am" was chosen as iTunes' free Single of the Week to coincide with the digital release. The band's single "Friends", which was a cast-off from Baby Darling Doll Face Honey, was included on The Twilight Saga: New Moon soundtrack in November 2009.



It's Cool! New Band Cult

terça-feira, 9 de março de 2010

Kathryn Bigelow who is she?



Date of Birth27 November 1951, San Carlos, California, USA
Birth Name : Kathryn Ann Bigelow
Height5' 11½" (1.82 m)


Mini Biography


A very talented painter, Kathryn spent two years at the San Francisco Art Institute. At 20, she won a scholarship to the Whitney Museum's Independent Study Program. She was given a studio in a former Offtrack Betting building, literally in a vault, where she made art and waited to be criticized by people like Richard Serra, Robert Rauschenberg and Susan Sontag. She later graduated from Columbia's Film School. She was also a member of the British avant-garde cultural group, Art and Language. Kathryn is the only child of the manager of a paint factory and a librarian.


She married James Cameron

(17 August 1989 - 1991) (divorced)



Frequently casts Tom Sizemore

Often uses first person perspectives (Wire trip scenes in Strange Days (1995) and the chase scenes in Point Break (1991)).



Trivia

Member of jury at the Berlin International Film Festival in 2003

Member of the jury at the Venice Film Festival in 1998.

Was member of the dramatic jury at the Sundance Film Festival in 1990.

Received a Dallas Star award from the AFI Dallas film festival in 2009.

The American Cinematheque honored Bigelow by showing all of her films at The Egyptian Theater in Hollywood, June 5-7 2009.

From July 1st to July 13th, 2009, the Harvard Film Archive hosted a retrospective of Bigelow's career, showing all of her films from 1982's The Loveless (1982) to 2008's The Hurt Locker (2008). The retrospective was titled "Take It To The Edge: The Films Of Kathryn Bigelow" and featured a Question and Answer session with Bigelow.

Ex-sister-in-law of Mike Cameron.

The 2010 Santa Barbara International Film Festival hosted 'A Celebration of Kathryn Bigelow', which featured a retrospective of her work.

First woman to win the Director's Guild of America (DGA) award for Outstanding Direction of a feature film for The Hurt Locker (2008).
Is the fourth woman to receive an Oscar nomination for Best Director and the first woman to win Best Director at the Directors Guild Awards.
Taught at the California Institute of the Arts.

Personal Quotes

If there's specific resistance to women making movies, I just choose to ignore that as an obstacle for two reasons: I can't change my gender, and I refuse to stop making movies. It's irrelevant who or what directed a movie, the important thing is that you either respond to it or you don't. There should be more women directing; I think there's just not the awareness that it's really possible. It is.

[About her 1995 film, Strange Days (1995)] If you hold a mirror up to society, and you don't like what you see, you can't fault the mirror. It's a mirror. I think that on the eve of the millennium, a point in time only four years from now, the clock is ticking, the same social issues and racial tensions still exist, the environment still needs reexamination so you don't forget it when the lights come up. Strange Days (1995) is provocative. Without revealing too much, I would say that it feels like we are driving toward a highly chaotic, explosive, volatile, Armageddon-like ending. Obviously, the riot footage came out of the LA riots. I mean, I was there. I experienced that. I was part of the cleanup afterwards, so I was very aware of the environment. I mean, it really affected me. It was etched indelibly on my psyche. So, obviously, some of the imagery came from that. I don't like violence. I am very interested, however, in truth. And violence is a fact of our lives, a part of the social context in which we live. But other elements of the movie are love and hope and redemption. Our main character throws up after seeing this hideous experience. The toughest decision was not wanting to shy away from anything, trying to keep the truth of the moment, of the social environment. It's not that I condone violence. I don't. It's an indictment. I would say the film is cautionary, a wake-up call, and that I think is always valuable.

I always want to make films. I think of it as a great opportunity to comment on the world in which we live. Perhaps just because I just came off The Hurt Locker (2008) and I'm thinking of the war and I think it's a deplorable situation. It's a great medium in which to speak about that. This is a war that cannot be won, why are we sending troops over there? Well, the only medium I have, the only opportunity I have, is to use film. There will always be issues I care about.

You cast not for marquee value but for performance and talent. The right actor for the part. Anything else is a compromise.

[on The Hurt Locker (2008)] War's dirty little secret is that some men love it. I'm trying to unpack why, to look at what it means to be a hero in the context of 21st-century combat.

Where Are They Now

(November 2008) She visited Argentina for to promote the movie The Hurt Locker (2008) in Mar del Plata International Film Festival, which this movie opened the mentioned festival

First women to win a oscar in the best director categorie. (2010)

O arquipélago Scorsese


Confesso que ainda não vi o mas encontrei esta critica na http://aeiou.visao.pt/o-arquipelago-scorsese=f549051, que me parece interessante. Sendo o Scorcese um dos realizadores que mais aprecio optei por postar aqui essa critica:


Com toda a honestidade: o escarpado e insular thriller de Martin Scorsese (Shutter Island, que se estreia hoje, 25) - tão sinuoso como a própria ilha onde foi filmado, tão labiríntico como as circunvalações cerebrais das suas alienadas personagens, tão tempestuoso como os ciclones e as intempéries que deixam o cenário de pantanas - não acrescenta nada à gloriosa filmografia do realizador, de 67 anos. Que já fez Taxi Driver (1976), ou Touro Enraivecido (1980), ou Cabo do Medo (1991), ou o menos conseguido Gangs of New York (2002), ou o oscarizado Departed (2006). Mas também em nada a belisca. É só mais um grande filme de um grande realizador. Não menos, não mais. Pela quarta vez, a energia nervosa, cheia de adrenalina, dos filmes de Scorsese transmite-se a Leonardo DiCaprio, aqui também uma personagem nada linear, o que lhe permite aquela expressão muito sua, de sobrolho vincado e olhar de impaciente inquietação... Logo aos primeiros fotogramas tem direito a uma aparição de grande estrela teatral, quando as cortinas se arredam e, numa espécie de fade in feito de nevoeiro, emerge um ferry-boat. Lá dentro está DiCaprio a vomitar. Ele próprio diz ao novo partner que o acompanha, pela primeira vez, numa missão policial, qualquer coisa como, "Bela maneira de eu aparecer, sempre de 'cabeça enfiada na retrete'". E já nesta altura, DiCaprio está com a crispação instalada no olhar: ele detesta água. E atenção, ele não diz que está nauseado, ou indisposto: ele diz que detesta água. Todos estes pequenos detalhes de guião são importantes. Todo este thriller policial e de mistério está construído como a ilha escarpada para onde o ferry se dirige, cada pedregulho está ali a sustentar outro, se o retirarmos ou não lhe dermos atenção, a história começa a desmoronar-se. E repare-se que DiCaprio tem uma gravata extravagante e um adesivo na cabeça, algo que não tendo a exuberância do extraordinário penso no nariz de Nicholson, em Chinatown, nos deixa até ao fim do filme a aguardar o respectivo pay off. Ou usando aquela estranhíssima e naïve expressão: com a pulga atrás da orelha. Os cinco primeiros minutos do filme são antológicos em termos de exposição narrativa. Uma dupla da polícia federal vai investigar um estranho desaparecimento numa colónia penal psiquiátrica de alta segurança, de onde é impossível escapar. Sabemos, desde logo, que aqueles criminosos loucos não são só gente que "ouve vozes e é perseguida por borboletas". Sabemos, desde logo, que os muros são electrificados (algo com que o marshal DiCaprio está familiarizado), que se aproxima uma tempestade, que os guardas prisionais não são particularmente cooperantes (lembram-se do marido da inspectora Marge, em Fargo, dos irmãos Coen, o tal que pensa ganhar um concurso de selos? O actor John Carrol Lynch empresta sempre alguma estranheza ao enredo...) e o sítio é dirigido por um psiquiatra que fuma cachimbo, gosta de ouvir Mahler, condena a lobotomia e professa novas técnicas de psiquiatria modernas (o não menos insondável Ben Kingsley)... A imagem recorrente do gira-discos a rodar remete-nos para um policial em espiral, muito ao estilo edipiano, o detective que anda à procura de si próprio. DiCaprio tem flashs, sonhos e alucinações. Umas muito solares, cheias de música, em que comparece a mulher que supostamente morreu num incêndio: "Mas porque é que tu estás molhada?" Mas as outras alucinações ainda conseguem ser mais sombrias do que a própria ilha: um campo de concentração libertado pelos americanos, onde o capitão DiCaprio viu corpos amontoados dos prisioneiros e executou nazis como pinos de bowling. Praticamente demente Os condenados naquela ilha já ouvem vozes que cheguem. O problema é que o próprio detective também ouve vozes. Ele tem um trauma - que, elucida-nos o psiquiatra, quer dizer "ferida" em grego, e "sonho" em alemão. Ou seja, de noite acorda com os balidos das ovelhas, como diria o Dr. Lecter. Em breve, vemos que o agente sabe mais daquilo de que foge do que daquilo que persegue. O filme está cheio daquilo a que os ingleses chamam "arenques vermelhos". Dantes, para conseguir caçar nas coutadas dos senhores, na Inglaterra vitoriana, os homens arrastavam arenques defumados pelos caminhos para despistar os cães dos proprietários das terras. Muitas vezes somos levados por cheiros fortes, pistas falsas, interstícios e alçapões. E já se sabe: é sempre um paradoxo entender a mente com a própria mente. No jogo, vira-se o tabuleiro várias vezes, como em Os Outros ou em O Sexto Sentido. Mas a cabeça de Scorsese está cheia de filmes antigos. Ele deu a ver aos seus actores a Ilha dos Mortos e A Casa Maldita, de Mark Robson (1954 e 1963), A Sétima Vítima, de Robert Wise (1943), a Pantera e outros filmes de Jacques Tourneur... Acontece muito aos realizadores da geração de Scorsese que se alimentavam de filmes, até dos europeus. Ao contrário da geração anterior, a de Ford ou a de Hitchcock. O que dá aos seus filmes de agora um certo maximalismo (se é que a palavra pode ser inventada). Algo de semelhante ao que aconteceu com Tetro, de Coppola. São filmes cheios, quase transbordam. Vindos de cabeças também muito cheias de background visual, referências e símbolos. No final, Scorsese inspirou-se no Retrato de Jennie (William Dieterle, 1948) e na cena do farol. DiCaprio também terá de subir o túnel para ver a luz. Talvez uma nova reviravolta, um terceiro turning point nos deixasse mais reconciliados com o filme. Ou talvez não. Diz ele, no final: "Mais vale morrer como um homem do que viver como um monstro."

Trailer:

segunda-feira, 8 de março de 2010

Oscares sem surpresas

Estado de Guerra foi o grande vencedor deste ano, com um total de seis Oscares, entre os quais os de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Original. Kathryn Bigelow tornou-se assim a primeira mulher a receber um Oscar de Melhor Realização. Avatar, de James Cameron, que partia com vantagem no número de nomeações, ganhou em apenas três categorias técnicas. Precious, Up e Crazy Heart venceram, cada qual, dois Oscares. Não houve surpresas nos prémios de interpretação com as vitórias de Jeff Bridges em Crazy Heart (Actor), Sandra Bullock em The Blind Side (Actriz), Christoph Waltz em Sacanas Sem Lei (Actor Secundário) e Mo’Nique, em Precious (Actriz Secundárias). Uma noite quase sem revelações inesperadas, com a derrota de O Laço Branco de Hanecke para o filme argentino El Secreto de Sus Ojos (Melhor Filme Estranheiro) a representar um dos raros momentos a surpreender tudo e todos.Pode consultar a lista completa dos vencedores aqui
fonte: sound+vision

A outra Alice..

TIM BURTON E MIA WASIKOWSKA: RODAGEM DE "ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS"Leah Gallo/Walt Disney Pictures

Que havia a reinventar? Pois bem, antes do mais a própria herança cinematográfica de Alice no País das Maravilhas, por assim dizer consensada na versão de 1951, produto menor da animação dos estúdios Disney. Tim Burton trabalha também com a fábrica Disney e consegue o compromisso — e a proeza — de integrar as exigências do momento (o 3D) sem alienar as componentes básicas do seu universo e da sua temática nuclear: o artifício de qualquer ordem e a consequente possibilidade de uma ordem gerar sempre uma outra ordem [encontramos uma boa apresentação de tal dinâmica em artigo de Larry Rohter, no New York Times].Primeiro detalhe a ter em conta: a "promoção" de Alice, de menina mais ou menos deslumbrada pelos jogos da imaginação a jovem mulher, exemplarmente corporizada por esse misto de serenidade e obstinação que Mia Wazikowska coloca em cena ("este é o meu sonho") — estreia no dia 4.



domingo, 7 de março de 2010

BoS


Obrigado pela dica joão acabei de ouvir o álbum e parece-me que vou ter mais uma banda de culto!
Mais novidades para breve.

A 1ª Alice


Alice Lidell 1858

De onde vem a "pulsão" adulta de Tim Burton, transformando a sua Alice numa jovem adolescente confrontada tanto com as atribulações do sonho como com os desígnios da ordem social e familiar da sua época? Por certo da ambivalência das suas fábulas (recordemos esse filme genial que é Eduardo Mãos de Tesoura), sempre embrenhadas com as instâncias dos poderes (familiar, político, etc.). Mas também da origem de tudo: a Alice de Lewis Carroll e, muito especificamente, a Alice Liddell que serviu de inspiração para a sua heroína. As fotografias de Lidell por Carroll são a prova real desse desejo insensato, porque radical e transparente, de ver a criança, não como a ausência feliz do adulto, mas sim o seu simulacro assombrado. Assombrado por quê? Pela história que, ao crescermos, fazemos. Pelas histórias que contamos.


sábado, 6 de março de 2010

White Hinterland’s Chronos and Kairos

Do you like Beach house? Listen to this!



It is easy to rave about Casey Dienel’s voice, which recalls Joni Mitchell’s eclectic stylistic arsenal as much as Victoria Legrand’s ghostly croon. Even those that do not like her project, White Hinterland, are still enthralled by her voice for a reason. She recalls the classic feel of Mitchell or Joan Baez and gives it a 21st century facelift. Under her fascinating arrangements and textures, Dienel loops her own voice and places them at various positions in the song, positions so infectiously perfect that comparisons to ’60s and ’70s neo-folk becomes imminent. Despite an abundance of influences on her sleeve, Dienel’s grasp of contemporary production techniques has allowed her to mold a style of her own. Along with collaborator Shawn Creeden, her tendencies of structural variation and unconventional accessibility are nearly unsurpassed in the realm of electronic pop. The latter of those tendencies sounds almost like a contradiction, but there are few artists like White Hinterland that are able to make sounds engineered in an unconventional manner appealing to audiences of various tastes. This has only become recently apparent for the project, as their third album Kairos surpasses all its predecessors by containing some of the most genuinely fascinating hooks of the year. It is a release that values atmosphere just as much as hooks though, resulting in a very unique and rewarding listening experience.

The economical drum machine on “Moon Jam” resembles the isolated percussive feel of Beach House. Comparisons to 2010’s most renowned dream-pop group stop at Dienel’s haunting croon and percussive tendencies though. White Hinterland possess a very different feel from Beach House and most recent dream-pop acts, mainly because their distinctiveness is more reminiscent of more avant-garde movements like dubstep, italo-disco, and trip-hop. Despite several pleasant and relaxing compositions, jerky rhythms and stale chords place the listener in a feeling of uneasiness as they progress through Kairos. Dienel has a voice that can sound either like an angel or gatekeeper to hell, depending on where she decides to take the song at hand. “Begin Again” is more or less a pop music version of the recent dubstep movement, mainly led by Burial, that contains songs that derive their infectiousness from eerie and displaced atmospheres rather than infectious Euro-synths. The passion of Dienel’s vocals give this effort more variation than the instrumentation suggests, wavering from the poppy repetition of the chorus’ “be-gin a-gain” to the verse’s less coherent array of glittering synths and cooing bass. The little bridge at 02:11 is a great display of White Hinterland’s pop chops; it sees Dienel flourish over a very seductive melody, a reverberating bass and majestically outdated synth leading the way. “Just like the rain,” she quivers, her own vocals backing up her phenomenal performance. It is really a fascinating song, like many songs on Kairos.


“Icarus” finds Dienel in considerably more accessible territory, the instrumentation opting for a more conservative stance than “Begin Again” or the illustrious “Thunderbird”, which sounds more like instrumental new-age chants as opposed to the usual ominous electro-pop. Even on “Thunderbird” though, it is startling how great Dienel’s vocals are. She would do quite well in the conventional realm of pop, but with such range in both pitch and emotional leverage she has treated music fans well with her decision to pursue experimental music like this, even if it results in less initial recognition. It works out perfect since she has not abandoned the allure of infectious hooks. “Icarus” gives us a little peek at Dienel’s more restrained leanings, the main allure here being a resonating bass line that repeats continuously as Dienel emits a multi-layered howls of sorts for the chorus. There is not as much substance as interesting efforts like “Begin Again”, but tracks like “Icarus” and “Bow & Arrow” tend to draw the listener in easier with repeating rhythms and structural tendencies. Even on these efforts though, there is a slab of ingenuity that comes from White Hinterland alone. Take the burst of brilliance at 01:45 in “Bow & Arrow” for instance, where the track turns from a barren, ghostly wasteland into a middle-eastern dance of sorts. Haunting, captivating, and extremely interesting. These are all indication of a great accomplishment in the field of electronic pop, and in Kairos White Hinterland have crafted an undeniable success that all electronica fans should get their hands on.

RIYL: Beach House, Joni Mitchell, Laura Nyro, Burial, Erykah Badu, Joanna Newsom, St. Vincent, Marissa Nadler, Massive Attack, Bodies of Water, No Kids, Taken by Trees

In: http://obscuresound.com/?p=4059

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lake Tahoe

(...) Lake Tahoe é um pequeno e magnífico filme sobre, praticamente, nada. Assinado por Fernando Eimbicke (de quem vimos Temporada de Patos), segue uma história quase sem história. Tudo começa numa manhã, bem cedo, algures numa cidade (ou num subúrbio) que ainda não acordou. Um rapaz acaba de chocar com o carro da família contra um poste. E procura ajuda… O dia vai levá-lo a conhecer várias personagens, de um velho que o toma por ladrão e a quem promete passear o cão (que depois perde de vista) a uma rapariga que trabalha numa loja que vende peças para automóveis, esta apresentando-lhe um amigo mecânico, que anda de um lado para o outro de bicicleta e na verdade está mais interessado nos seus filmes série B sobre kung fu que no seu trabalho. Ritmo lento, o ritmo do acordar de uma cidade antes do buliço da manhã de trabalho. Poucas palavras, na verdade seguindo antes a preocupação do protagonista em resolver o seu pequeno drama. A câmara olha o espaço, segue os passos, acentua a solidão que assombra o protagonista, só com o tempo se compreendendo finalmente porquê. O título, Lake Tahoe (um conhecido resort turístico nos EUA), decorre do que parece uma citação wellesiana, surgindo num autocolante que a dada altura vemos no carro que é motor para a acção que depois acompanhamos.
fonte: http://sound--vision.blogspot.com/

quinta-feira, 4 de março de 2010

Depois do fime a música

O filme foi um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2009. E a Moon, que nos revelou como realizador a figura de Duncan Jones, junta-se agora o disco com a respectiva banda sonora, assinada pelo cada vez mais recomendável Clint Mansell. A música junta ao tema obsessivo para piano que cruza a acção (sublinhando o carácter neurótico que a solidão por vezes projecta) uma série de variações e complementos, ora ensaiando texturas, ora espreitando terrenos próximos de vivências pop/rock. Apesar de criada para suportar imagens (e uma narrativa) esta é uma música que, agora em disco, ganha uma vida própria.
fonte: http://sound--vision.blogspot.com/

Girls - 'Lust For Life' (Hardcore Version) video

The incredibly Not Safe For Work version of Girls' 'Lust For Life' promo. Warning - contains explicit content and full frontal male nudity. (não digam que não avisei.)

quarta-feira, 3 de março de 2010

John Cale rules out Velvet Underground reunion shows


He says: 'it's not something that I can see happening'



John Cale has ruled out the possibility of being involved in any Velvet Underground reunion shows.Talking to the BBC, Cale admitted that he wasn't interested in reforming the band."It's not something that I can see happening on the basis of the past," he explained. "Anyone who wants to reform The Velvet Underground for a series of concerts, to make some money, I understand that, but you can't do that." He added: "We don't have Sterling [Morrison] any more. If I said that was something I was intrigued by, people would think I was cynical."About to play his 1973 album, 'Paris 1919' at London's South Bank on Friday (March 5), the influential group's co-founder revealed that he only keeps in touch with the band's remaining members for business reasons."I haven't spoken to Lou [Reed] in a long time, but we're in touch because of business," he explained. "There's no communal effort to enjoy each other's company any more."As previously reported, The Velvet Underground's Lou Reed, Moe Tucker and Doug Yule took part in a Q&A in New York last December.
in: http://www.nme.com/news/the-velvet-underground/50026

terça-feira, 2 de março de 2010

Anthony Hopkins enfrenta forças demoníacas em 'The Rite' - O Globo


Anthony Hopkins enfrenta forças demoníacas em 'The Rite'

Anthony Hopkins vai estrelar 'The Rite', um thriller sobrenatural baseado em factos verídicos.
O projeto da New Line trata de um seminarista norte-americano desiludido que assiste a aulas sobre exorcismo no Vaticano e acaba reencontrando sua fé através de contatos com forças demoníacas.
Anthony Hopkins fará um padre especializado em exorcismos e cujos métodos não são necessariamente os mais tradicionais tradicionais.
A direcção será de Mikael Hafstrom ('Fora de Rumo'), e o roteiro é adaptado de um livro de Matt Baglio.
Hopkins parece estar a habituar-se a combater forças sobrenaturais. O actor está sendo mais visto nos cinemas actualmente, caçando um lobisomem em 'O Lobisomem', e está em rodagem de 'Thor', da Marvel, no qual faz papel de Odin, o senhor de Asgard."

segunda-feira, 1 de março de 2010

Top Ten 2009 por Gonçalo Fonseca

Após ter lido esta súmula de 2009 num blogue que costumo acompanhar decidi postá-lo aqui pois está, em certos pontos, em sintonia comigo.

1 - Inglorious Basterds
Sou apologista que os filmes que dão que pensar, que transmitem uma mensagem, são os que dão mais prazer em ir ver. Não é o caso do Inglorious Basterds. Não tem nenhuma mensagem específica, a não ser a típica “What if” e já vista noutros filmes. Neste caso é o maior “What if” da história do cinema (e dos mais credíveis) e só poderia ter sido levado a cabo por um realizador com um talento como o do Tarantino. Inglorious Basterds é puro entretenimento, e nessa perspectiva dá que pensar. Não é também para isso que o cinema existe? O cinema também existe para que durante 2 horas o espectador tenha um escape, se entretenha, se divirta, e veja um filme de qualidade. O argumento é dos mais originais, divertidos e bem escritos do ano, o casting e direcção de actores é sem dúvida o melhor do ano, a realização impecável, a fotografia excelente e a banda sonora do melhor que o Tarantino nos trouxe até agora. A última deixa do filme pode parecer prepotente, mas se pensarmos bem na performance do filme talvez até não seja. Diga o que se disser, o objectivo maior de um artista é comunicar e ter reconhecimento crítico. Nesse aspecto este filme teve uma performance como poucos filmes na história do cinema. Liderou as bilheteiras mundiais durante o período que esteve em cena e teve das melhores críticas do ano. São feitos raros, lembro-me assim de repente de 3: Dark night, Titanic e Senhor dos Anéis. Nesse aspecto “esta poderá ser a obra-prima de Tarantino”. Os filmes de guerra nunca mais serão os mesmos depois deste IB. Não está ao nível de Pulp Fiction apenas e só porque não vai revolucionar o cinema (como o Pulp Fiction o fez). Para mim, é o melhor filme de 2009.


2 - Avatar
O que na minha opinião é o segundo melhor filme do ano, é exactamente o oposto do anterior. Este é o filme-mensagem do ano. De uma forma simples e acessível passa-nos a grande mensagem que todos precisamos de ouvir. Precisamos cada vez mais de respeito. Respeito pelos outros seres vivos, respeito pelas outras crenças, respeito pelo local onde vivemos, respeito por nós próprios. Pode parecer uma história simples com personagens tipificadas, o que até é verdade, mas é importante que assim seja, se se quer assumir como um filme que passa uma mensagem para o mundo inteiro (o Avatar ajudou finalmente a “verdade inconveniente” do Al Gore a chegar ao mundo inteiro em massa). Para que seja universal é necessário que seja simples. E realmente a história e as personagens são mesmo a única coisa que é simples neste filme. Tudo o resto é do mais inovador que se tem visto até hoje. Mesmo que não se veja o filme em 3D, é absolutamente único, com um mundo criado de raiz que é simplesmente fascinante. A personagem feminina é excelente, é a alma do filme e personifica a ligação com a natureza de uma forma genial. Dá sentido a todo o filme, pois essa força, essa ligação com a natureza, é essencial para que tudo o que se passa no filme seja credível e coerente. O Avatar dá-nos que pensar a vários níveis e faz analogias com inúmeras situações actuais e passadas na história da humanidade. Tudo o que acontece no filme não acontece por acaso. O vilão entra directamente para a galeria dos melhores da história do cinema e é… humano J Aliás, nós, enquanto espécie humana, somos os vilões o que também é uma inovação. Se pudesse resumir todas as mensagens e sub-mensagens que este filme nos revela, escolhia uma cena do filme em que o avatar do jake está a pedir ajuda à tree of souls (elemento central, espiritual, e de equilíbrio de toda a civilzação Na’vi) e diz: “Por favor Mãe, ajuda-nos a combater os humanos. Eles destruíram a Mãe deles há muito tempo. E agora vêm para destruir a nossa”. Quem quiser ver a mensagem, vê. É clara. Basta ver as notícias. Basta ver a desflorestação galopante da amazónia e de sociedades de índios que lá vivem. Basta ver a incoerência da Guerra quando nos ensinam que matar é o pior crime que alguém pode cometer e depois nos mandam para matar os nossos semelhantes. Basta ver os testes nucleares no pacifico. Basta ver o aquecimento global a destruir o planeta. Basta ver isto. E nós, sociedades civis, vemos. Mas depois há sempre alguém com mais força que continua. Enquanto nós todos que nos preocupamos não fizermos nada contra, continuaremos apenas a ver. Obrigado Avatar pelo wake up call. Espero que tenha os seus resultados.

3 - Hurt Locker
Uma das minhas cenas preferidas de todos os filmes que já vi, é do filme Jarhead do Sam Mendes e nunca mais me esquecerei dessa cena maravilhosa. Para quem não viu o filme, passa-se na guerra do Kuwait, e a determinada altura o Jamie Fox e o Jake Gyllenhaal estão num cenário devastador. Estão numa cratera no meio de milhares poços de petróleo que foram queimados pelos iraquianos à medida que os americanos avançavam no terreno. Estes poços ao serem queimados deitavam fumo preto que cobriam totalmente os céus, ficando um cenário totalmente infernal. No meio deste “inferno” o Jamie e o Jake estão os dois sentados numa cratera a ver todo este cenário e o Jamie diz: “Agradeço a Deus, todos os momentos que passo aqui na Guerra. Amo esta profissão do fundo do meu coração e não sei o que faria sem ela…. Urra”. Numa única cena, com um diálogo tão simples, mostra-se como o mundo seria melhor se todos fossemos como o Jamie. Com um auto-conhecimento completo que lhe permite saber quem é, o que quer, e para onde vai, sente-se totalmente realizado e feliz. Independentemente de como a Guerra e o inferno é interpretado pela maioria das pessoas, para ele é sinónimo de realização, e isso é que interessa. O Hurt Loker faz um filme inteiro que acenta neste conceito. Enquanto que o Jarhead tem inúmeros problemas técnicos, de construção da história e até das personagens, o Hurt Loker não tem absolutamente nenhum problema enquanto filme. Tudo é feito na perfeição. Tudo o que aparece no filme é perfeito. O casting, a história, as personagens, a fotografia, a montagem, a realização, a banda sonora. Está tudo no lugar, para assim poder passar esta mensagem de que se te conheceres a ti próprio estás sempre no sítio certo, na altura certa para fazer o que é preciso. Passa outra mensagem muito importante e que mais uma vez tem alguma ligação com a mensagem que o Avatar tenta passar. O Avatar mostra o que os humanos gostariam ou deveriam ser, e retrata-nos como seres pouco evoluídos com o único objectivo de sobreviver e prosperar à custa de tudo e todos à nossa volta. Quando o general está a atacar e destruir a árvore da vida dos N’avi, há qualquer coisa no olhar dele que vai para além do objectivo de sobreviver e prosperar à custa de tudo e de todos. Há um genuíno prazer na destruição. E essa é a outra das mensagens que Hurt Loker passa tão bem. Explica o dirty little secret da guerra. Explica o prazer que os homens têm em fazer guerra com a desculpa que esta é inevitável. Este prazer é considerado polémico porque supostamente ele não deveria existir porque supostamente as guerras não deveriam existir,mas o facto é que ele existe desde que somos miúdos e queremos estar a disparar armas nos jogos de computador. O que é verdade é que ele existe e está aí o Hurt Loker para nos relembrar disso. Um grande filme sobre o tema “Guerra”. Explica a guerra melhor do que muitos filmes de referência já realizados no passado (interessante ser realizado por uma mulher).


4 - Up in the air
Está repleto de mensagens que são transmitidas de uma forma divertida e inteligente. Constroi-se como uma comédia romântica, para depois poder destruir totalmente esse conceito de uma forma desconcertante e eficaz. È importante que assim seja para que a mensagem principal seja passada. Mais do que o filme pessimista do ano (embora com imensos momentos cheios de piada), é uma wake up call para todos nós. Uma wake up call diferente do Avatar, mas ambos se complementam com 2 mensagens fundamentais para vivermos melhor no futuro (e, como espécie humana, nunca precisámos tanto destas indicações como agora). O bottom line do filme é: todos nós, cada vez vivemos mais “up in the air”. E sabem porquê? Porque cada vez que “descemos à terra”, só encontramos desilusões. E quando isso acontece preferimos voltar “lá para cima”. Cada vez vivemos mais desligados das nossas relações, mais egoístas, com menos disponibilidade para partilhar. E todos nós somos responsáveis por isso. Embora ela seja a “vilã” do filme, foi uma personagem construída para nos mostrar como a nossa evolução e como os nossos princípios actuais (ou falta deles) contribuem para que as ligações pessoais sejam cada vez mais desvalorizadas. Mas nesse contexto, nem se poderá julgá-la, mas poderemos perceber onde estamos e para onde vamos. É excelente a forma como o filme cria o homem-objecto nas mãos de uma mulher (que me lembre é o primeiro filme que faz isto de uma forma totalmente credível e descomprometida). Tem dos melhores diálogos do ano, com especial ênfase para o diálogo entre o Clooney e o noivo da irmã que de repente ficou com second thoughts antes da cerimónia do casamento. Os 3 actores principais estão todos no topo de forma, com representações brilhantes. É um dos filmes-mensagem do ano e transmite, de uma forma não forçada, uma mensagem bem importante nos tempos que correm. Por isso e pela realização e interpretações brilhantes merece estar no topo desta lista.


5 - Up
A Pixar está com a fasquia altíssima. Mais alta do que alguma vez esteve. Fizeram uma revolução no cinema com o Toy Story e desde aí têm vindo sempre a crescer de filme para filme. Sempre a inovar. E nos 2 últimos filmes conseguiram uma coisa que mais nenhum outro filme de animação alguma vez conseguiu na história do cinema. Colocaram os seus filmes entre os melhores filmes do ano a par com todas as outras longa metragens “não animadas”. O Wall-E já fez parte da lista dos melhores filmes do ano passado. Mas com o Up conseguiram fazer ainda melhor. Sem deixar de ser um filme de aventuras e que os mais pequenos irão adorar, conseguem criar personagens inesquecíveis e conseguem criar 25 minutos do melhor que já se viu na história do cinema. Só por causa desses 25 minutos (15 no inicio do filme + 10 no final), já fazia sentido este filme estar entre os 10 melhores filmes do ano. Como a Empire disse, se o filme mantivesse o nível dos primeiros 15 minutos, seria o melhor filme da década. É verdade. Como não mantém, é apenas um dos melhores filmes do ano. Na minha opinião, o 5º melhor. Aprendemos a viver com Up, e ao vê-lo apercebemo-nos que na realidade nem sempre o fazemos como deve de ser. Ensina-nos a lidar com desilusões, com sonhos desfeitos (quando estes nos são vendidos ao segundo na nossa sociedade actual). A forma como ultrapassar estes momentos tristes da vida é tão simples… tão simples. E estas personagens mostram-no melhor do que ninguém. Ultrapassa-se com amor, com muito amor e humildade. Não me lembro de ter visto o amor tão bem representado num filme há muito tempo. Aliás, é possível q seja das melhores representações do amor que já vi no cinema. E por isso, o Up é um filme muito especial. A grande revelação deste ano. Aprendam com ele.


6 - Watchmen
Estreou no inicio do ano sem nenhumas pretensões (afastado de todos os festivais de referência) e assim continuou sem grandes intervenções nas melhores entregas de prémios de cinema mundiais. Para mim, é 6º melhor filme do ano. Visualmente estrondoso, e altamente filosófico, é muito violento e rodeado de personagens negras, complexas e altamente carismáticas. Elabora um interessantíssimo exercício filosófico sobre a nossa sociedade que tem na personagem do comediant o seu expoente máximo. O comediant antes de ser assassinado ri-se e diz: “This is all a fucking joke”. Depois de vermos o filme e descobrirmos a “trama” bem ao estilo de filme noir, percebemos o que ele quer dizer e não podemos deixar de sentir uma enorme empatia por esta personagem. Rorschac, é a par de Comediant, a personagem mais inesquecível do filme. É genial como a linha condutora do filme se vai desenvolvendo através de Rorschac e da sua investigação ao estilo de Filme Noir (um género sempre bem vindo e adorado para quem gosta de cinema). Será que precisamos mesmo de catástrofes para nos unirmos? It’s a milion dollar question que o filme deixa no ar, e que dá muito que pensar sobre os mais variados acontecimentos dramáticos que já passámos na nossa História. Tem a melhor “line” do ano: a determinada altura do filme, o Rorschac é preso e encarcerado numa prisão onde se encontram inúmeros prisioneiros que tinham sido colocados lá por ele. 70% da prisão quer vê-lo morto e a sofrer. Numa cena genial no refeitório da prisão, Rorschac está na fila com um prisioneiro atrás dele que lhe diz que ele vai morrer naquele mesmo dia. O Rorschac pega no óleo a ferver das batatas e despeja sobre o corpo do prisioneiro que o estava a ameaçar, ficando este automaticamente desfigurado numa cena de violência extrema. O Rorschac vira-se para os outros prisioneiros e diz: “Vocês ainda não perceberam. Não sou eu que estou aqui preso com vocês. SÃO VOCÊS Q ESTÃO AQUI PRESOS COMIGO!!!! J J… Muito bom! Tem dos melhores genéricos que já vi e é de um realizador em ascensão que até agora só fez filmes brilhantes. Zack Snider. Um nome a seguir com atenção.


7 – Let the right one in
Num ano em que os bons filmes de terror foram poucos, aparece um dos melhores dos últimos anos. Aparece nesta lista pois é muito mais do que um filme de terror. É uma excelente história com fabulosas interpretações. É uma história de personagens assombradas, é uma história assombrada que arrepia. É uma história daquelas que se contam ao redor de uma lareira e que todos nós gostamos de ouvir (incluindo as crianças). Nesse contexto é das melhores histórias do ano (a par talvez de Moon). E fala-nos de vampiros a sério. Para quem acha que estão a destruir a imagem dos vampiros, como eu acho, é refrescante continuar a ver vampiros assim. Os vampiros podem ser sedutores, e toda a tradição assim o sugere, mas não podem ser tratados como personagens de um conto de fadas ou de uma série para teens. Os vampiros são como neste filme, são como nos vampiros do Carpenter e do Copolla, são como no 30 days of night. Assim vale a pena ver filmes sobre vampiros. De resto, e mesmo para quem não gosta especialmente de filmes de terror, vale a pena ir ver este. Os dois actores principais, que são duas crianças, estão fabulosos, e tudo no filme é bem feito desde a banda sonora, à montagem, à fotografia, etc. Um dos filmes do ano.

8 – Moon
Todos os filmes contam uma história. Mas existem aqueles que contam uma história para entreter, outros para passar uma mensagem, outros para afirmar manifestos políticos, sociais ou até filosóficos. E depois existem outros que simplesmente querem contar uma boa história. Como disse em cima com o Let the right one in, daquelas que todos nós gostamos de ouvir em reunião com os amigos, numa noite de verão na praia a olhar para o céu estrelado J O Moon é assim, e na minha opinião é a melhor história do ano. Para além disso, bebe dos melhores filmes de sempre de ficção cientifica (2001, Alien, Espaço 1999 e Star Wars). A realização, montagem e fotografia são exemplares. E depois existe o Sam Rockwell. Não dá para perceber como é que ele não está nomeado para melhor actor do ano para os Óscares. Não só merecia estar nomeado, como provavelmente merecia ganhar. É simplesmente fenomenal. Aguenta um filme inteiro sozinho e nós nem damos pelo tempo passar. Depois de ver este filme não nos conseguimos esquecer da história. É daquelas que fica connosco. E claro que dá que pensar. É o Truman Show e o Big Brother do espaço. O realizador é o filho do David Bowie (Duncan Jones) e é o primeiro filme dele. Obrigatório ter atenção aos próximos trabalhos dele.


9 – Fantastic Mr. Fox
A melhor comédia do ano. Cada vez respeito mais o George Clooney pelas suas escolhas. O Wes Anderson já tinha coisas boas, mas com este filme superou-se e trouxe-nos um filme com um sentido de humor ao melhor nível. Já não me ria assim há muito tempo. São raras as vezes que me rio assim tanto num filme (talvez com os Monthy Python). A opção do stop motion foi acertada pois traz ainda mais piada à cara e aos movimentos dos bonecos. É uma comédia física e intelectual ao mais alto nível. Só não é o melhor filme de animação porque existe uma coisa chamada Up no caminho.


10 - Laço Branco
Os meus géneros preferidos no cinema são comédias e filmes de terror/violência (por isso gosto tanto do Tarantino pois mistura os dois estilos em todos os filmes que faz sem excepção – algumas das entrevistas do Tarantino têm potencial de stand up comedy). Tudo o que coloque filosofia na equação só melhora ainda mais o resultado (o que acontece a maioria das vezes com bons realizadores, pois quase todos eles têm esse background). Sendo assim, só posso apreciar banstante tudo o que Hanneke nos trouxe até agora (e obviamente não estou a falar de comédias). Haneke voltou em grande forma com o Laço Branco, continuando com as suas teses sobre a violência moderna, mas desta vez aprofundou ainda mais e tentou ir ao cerne da questão. Funny Games, com uma história bem simples, já conseguia colocar bem presentes todas as questões essenciais sobre a violência moderna. A História da violência e Eastern Promisses de David Cronenberg também são clássicas teses sobre esta questão mostrando bem como as sociedades civilizadas estão “presas” e incapazes de reagir a uma situação de confrontação e conflito. Na minha opinião, os exercícios de Haneke e Cronnenberg são muito importantes para nós nos conhecermos melhor (como espécie humana). Como está comprovado, o auto conhecimento só traz benefícios, e estes dois senhores contribuem e muito para o autoconhecimento da humanidade. A violência sempre existiu no ser humano, não é uma característica actual, é inerente ao mesmo. Com a chegada da religião e das leis das sociedades democráticas e civilizadas, ela simplesmente ficou “presa” e “amarrada”. Anda aí como sempre andou, mas “domada” por todos estes “novos” mecanismos que a própria sociedade criou (no caso da religião, há quem diga que não foi criada pela sociedade) para lidar com esta mesma violência. Por andar “presa” e contida, por vezes “explode” como aconteceu em Columbine. Haneke com o Laço Branco, consegue nos demonstrar este processo claro como a água, e por essa razão é considerado um ensaio de referência sobre a violência moderna nas sociedades civilizadas. Excelente em todos os aspectos, desde a realização, à fotografia, aos extraordinários desempenhos. Um dos filmes do ano. Ah… e by the way… ganhou a palma de ouro ao Inglorious Basterds… o que é automaticamente um ponto a favor.Menções (fora do Top10):11 – Where the wilds things are -> “O FILME” definitivo sobre a infância da nossa geração (final anos 70 / década 80). Na altura em que tínhamos que inventar mundos e histórias para nos entretar. Hoje em dia, basta ligar a consola para viajarmos para esses mundos com um toque do comando.12 – Serious Man -> O regresso às origens dos Irmãos Coen, mas com ainda mais qualidade. Ao nível do melhor deles (Fargo, No Country, Burn), mas diferente J Sempre a inovar.13 – Funny People –> E porque os comediantes são as minhas pessoas preferidas da nossa sociedade, não poderia deixar de colocar este filme nos melhores do ano. Consegue, a par do filme “Comedian” do Jerry Seinfeld mostrar-nos este mundo e consegue nos explicar como é a vida destas pessoas. Os comediantes são pessoas assombradas, pois são normalmente pessoas inteligentes e muito sensíveis a tudo o que as rodeia. Por isso mesmo, conseguem captar o ridículo que é a nossa vida quotidiana em sociedade. Não deixam de se rir por isso (pois qualquer bom comediante só lhe interessa uma coisa acima de tudo: rir de uma boa piada ou de uma situação cómica seja ela qual for), mas também sofrem por essa mesma razão pois apercebem-se melhor do que muitas pessoas a incoerência que a nossa sociedade representa hoje em dia. O Adam Sandler merecia mais reconhecimento pelo seu papel. Já vem demonstrando que é um bom actor e neste filme está ao melhor nível.14 – Drag me to hell -> Acho que fui o único que gostou deste filme. Mas estou tão contente por ter o Sam Raimi de volta e em tão boa forma, que não posso deixar de o colocar aqui. Quem gosta de terror e comédia, está nas nuvens com Sam Raimi.15 – Whatever Works -> Não sei se este filme é de 2009 ou 2010, mas só sei que o Woody Allen também voltou à sua excelente forma (sim, aquela antiga que já não víamos á muito tempo) e isso é sempre um motivo de felicidade J. O Match Point foi genial, mas este filme é o regresso aos filmes iniciais de Allen. E quem é fã de Allen como eu, deveria estar cheio de saudades.


Escrito por *Gonçalo Fonseca é gestor de marca e publicado em: http://finalcut-visao.blogspot.com/2010/02/o-gosto-de-goncalo-fonseca.html